Núcleo de Acolhimento e Diálogo em tempos de Ensino Remoto Emergencial realizará, uma SONDAGEM junto às professoras e aos professores. Por meio de um questionário, o Sindicato levantará dados quantitativos ou qualitativos com o objetivo valorizar e incentivar a discussão sobre a saúde do(a) trabalhador(a), ou seja, a saúde docente. Precisamos de informações quantitativas e qualitativas que nutram o diálogo com a Reitoria e com a categoria, construindo saídas para a grave crise que nos ameaça.

Esta proposta surge em um contexto bastante específico: pandemia, crise política e humanitária.
Com o início das aulas, novos desafios se somam, literalmente, àqueles já identificados no trabalho remoto em um quadro sanitário precarizado. Parece óbvio que estamos diante de um grande ataque à Saúde do trabalhador e da trabalhadora docente.

Configura-se uma situação de extrema relevância e urgência. O temor relativo ao contágio e à flexibilização se associa às estigmatizações e ao bullying, seja de quem já se infectou, àqueles que se protegem e até àqueles que não se protegem e negam a realidade (sem deixar de lembrar que temos sido alvos de assédio institucional e de campanhas difamadoras relativas ao nosso trabalho e à condição de servidores públicos).

Consideremos também que nossos instrumentos devem ser sensíveis ao fato/evidência de amplo conhecimento de que nossa categoria invisibiliza e subestima a própria condição laboral e as situações de sofrimento físico e mental, retardando o compartilhamento de informações para a UFMG, e já operava em um cenário pouco solidário e cooperativo, onde se destaca o assédio entre os pares. A invisibilização configura-se inclusive como um mecanismo de auto-proteção em face ao risco de demérito e julgamentos morais e discriminatórios.

Sabemos também que as mulheres, os idosos, os aposentados, os novatos e aqueles que estão na linha de frente têm sido objeto de intensa degradação das condições de trabalho, que rompem os limites entre as esferas pública e privada. A auto-observação exigente e cruel, além da possibilidade de vigilância externa ameaçam e redefinem os processos de trabalho, repleto de sutilezas, silêncios, estratégias de ação construídas em sintonia com os limites e possibilidades de interação de cada um frente aos estudantes que agora se apresentam com condições duvidosas de participação e habitam um território “além do espelho” da tela do computador. A exposição ganha novos contornos nas relações de ensino aprendizado, corrompendo as possibilidades de horizontalidade e uniformidade. Há uma enorme e nova solidão que se impõe.

O APUBH não pode recuar diante deste cenário. Trata-se de viabilizar uma construção coletiva e participativa no levantamento das informações que nos auxiliem na construção de pautas assertivas. Mãos à obra!

Contato do núcleo de atendimento: acolhimento@apubh.org.br