Acontece no APUBH

Como está você? O APUBH quer saber.

Como está você? O APUBH quer saber.

“Sinto-me oprimida pelo processo de ensino remoto”

“Não estou adaptado a trabalhar em casa”

“Muita demanda pela internet, além das tarefas domésticas”

“Muito cansaço ao ficar muito tempo diante da tela do computador”

“Minha internet em casa não é suficiente para interações on-line com vídeo”

“Tenho me sentido muito impotente e ignorante a respeito das tecnologias de mediação do ensino”

“Meu conhecimento e experiência como professora parecem inválidos”

“Tanto chefia como coordenação não trabalham com planejamento prévio adequado”

“Um sofrimento mental insuportável”

 

Estes são trechos extraídos da consulta aberta pelo Núcleo de acolhimento do Apubh aos docentes da UFMG.

Os professores relatam dificuldade de adaptação do trabalho em casa, especialmente marcado pela ausência de condições ergonômicas adequadas, problemas de acesso à internet de alta qualidade e impossibilidade de conciliação da atividade docente com as responsabilidades familiares e domésticas. A subtração das pausas e intervalos regulares e o aumento de execução de tarefas simultâneas também têm se apresentado como características penosas.

A impotência da prática didática diante dos desafios impostos pelas adaptações às tecnologias, principalmente caracterizada pela excessiva lida com a tela que interpõe o contato com os alunos, causa um cansaço desgastante e uma frustração acerca da ausência de uma troca responsiva com os discentes: “às vezes parece que falo para as paredes”; “é como dar aula no vácuo”, explicam duas professoras. Ao mesmo tempo, há uma impossibilidade de obrigar que os alunos e alunas abram seus vídeos e deem maior vivacidade na relação ensino/aprendizado, na medida que isso expõe sua privacidade, o que remete aos limites éticos do ensino remoto.

Os aspectos éticos referem-se também em relação às gravações das aulas, ultrapassadas as questões dos direitos autorais já que se referem, igualmente, ao receio dos professores de terem suas falas e imagens usadas de maneira descontextualizada e prejudicial. Por fim, há um indicador de mal estar relacionado às novas e excessivas diretrizes aprovadas pelo CEPE e implantadas pela PROGRAD, como o novo formulário do Plano de Ensino que traz exigências de exaustivo detalhamento de prescrições, pouco compatíveis com a realidade do trabalho: “um acinte”, segundo um docente. Acusa-se um excesso de exigências, algumas consideradas como um falseamento na carga horária de trabalho, como as atividades assíncronas, dentre outras reclamações que remetem a uma “morosidade”, falta de objetividade e ingerência no trabalho docente, sem que haja espaço para que os desconfortos sejam ouvidos e debatidos.

Ou seja, há um mal-estar significativo. Por isso, insistimos: vamos falar mais acerca de nossas dificuldades no Ensino Remoto e na Pandemia?

O Apubh está aberto a acolher as demandas, denúncias, sugestões de toda a categoria para construirmos saídas mais consistentes diante das transformações emergenciais impostas pela pandemia da COVID-19.

Contribua contando-nos acerca da sua experiência!

O link da consulta é: https://apubh.org.br/acolhimento/

As denúncias e queixas podem também ser encaminhadas diretamente através do nosso e-mail acolhimento@apubh.org.br

Inauguramos também a possibilidade de teleatendimento: basta agendar! Estamos de portas (virtualmente) abertas. O Apubh já conta, desde 26 de agosto de 2020, com uma psicóloga social especializada na área de saúde no trabalho para o acolhimento dos professores e das professoras:

Laís Di Bella Castro Rabelo é graduada, mestra e doutoranda em Psicologia pela UFMG, com intercâmbio na Universidade do Porto (Portugal) e período de doutorado sanduíche no CNAM (Paris/França). Tem sua formação no campo da Psicologia Social, na linha de estudos: Trabalho, Saúde e Sociabilidade. Experiência profissional com Sindicato, Justiça do Trabalho e Atendimento Clínico especializado para o sofrimento psíquico oriundo da vida acadêmica.

Foto:Arquivo pessoal / Laís Di Bella Castro Rabelo trabalhará no acolhimento dos professores e das professoras