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Programa de estreia do Núcleo de Acolhimento e Diálogo abordou a ergonomia no trabalho remoto

Acompanhe as transmissões ao vivo do programa, às segundas-feiras, através do Canal do APUBH UFMG+ no Youtube.

No dia 21/09, o Programa do Núcleo de Acolhimento e Diálogo discutiu “Quais as (im)possibilidades ergonômicas durante o trabalho remoto emergencial?”.

Estreou nesta segunda-feira (21/09) o Programa do Núcleo de Acolhimento e Diálogo (NAD) do APUBH.Na primeira edição do programa, o Núcleo recebeu o professor Francisco Lima, do Departamento de Engenharia de Produção (ENG/UFMG), para discutir as “Quais as (im)possibilidades ergonômicas durante o trabalho remoto emergencial?”. A conversa foi conduzida por Laís Di Bella Castro Rabelo, psicóloga social especializada na área de saúde no trabalho e responsável pelo NAD/APUBH, e por Maria Stella Goulart, professora do Departamento de Psicologia (FAFICH/UFMG) e presidenta do sindicato. ⠀

Assista à entrevista na íntegra: https://youtu.be/DUyeLj1WfM8

O Programa do NAD/APUBH tem a proposta de discutir com especialistas da UFMG sobre a saúde da mente e do corpo da comunidade acadêmica, durante o período de ensino remoto emergencial. A série de vídeos conta com um formato dinâmico, com duração média de 30 minutos. Acompanhe as transmissões ao vivo, às segundas-feiras, através do canal do sindicato no Youtube: https://tinyurl.com/canaldoapubh

A professora Stella Goulart ressaltou que, ao longo da crise que afeta o país, a já complexa realidade da categoria docente tem se agravado. “Nós não estávamos bem. Nós passamos por três ministros assediadores, estamos diante de um corte absurdo no orçamento da área de educação e de uma campanha difamatória do funcionalismo público”, observou a presidenta do sindicato. “Além da pandemia, de todos os lutos, do medo e das ameaças pautadas, nós temos o desafio de uma revolução que pode ser desastrosa, no que diz respeito à reconstrução das nossas metodologias de trabalho e à nossa condição docente”.

Laís Di Bella reforçou que o sindicato está desenvolvendo campanhas para lidar com a realidade atual, a partir da experiência dos próprios professores. Assim, ela convidou a categoria a acessar o hotsite do Núcleo de Acolhimento e Diálogo e a preencherem o questionário sobre o trabalho docente no ERE: https://apubh.org.br/acolhimento/ “Vamos construir saídas coletivas para que consigamos ter o mínimo de preservação de nossa saúde física e mental, construindo laços mais próximos”, definiu a psicóloga.

Diferença entre home office e trabalho remoto emergencial

O professor Francisco Lima observa que, já há algum tempo, o trabalho remoto vem sendo adotado por empresas. Contudo, ainda segundo ele, essa realidade difere da atual, em que o trabalho remoto foi adotado em caráter emergencial, para garantir a continuidade das atividades durante a pandemia.

Lima refletiu que, no caso do home office, as atividades são executadas em diferentes modalidades, com as devidas adaptações e planejamento necessários, que incluem, por exemplo,a  infraestrutura tecnológica e de mobiliário adequadas. Para ele, essa é uma grande diferença do momento atípico atual, que se reflete no trabalho, inclusive, devido às mudanças causadas nos âmbitos pessoais e profissionais pessoas.

“Essa situação que estamos vivendo de isolamento parcial e quase total não permite que nós façamos o trabalho com o mesmo gradual de eficiência, seja no trabalho presencial ou trabalho remoto planejado e com as características adequadas”, analisou o professor. “Por isso, essa grande diferença que estamos sentindo”, completou.

Garantia de condições adequadas de trabalho

“Esse caráter emergencial pegou a todos de surpresa, inclusive os empregadores. Então, seria injusto querer, em tempo recorde, planejar escritórios para milhares de pessoas”, ponderou o docente. Ainda assim, para que o trabalho possa ser executado, o professor Francisco observa que devem ser asseguradas condições minimamente adequadas.

Ele elenca que cabe ao empregador fornecer acesso de qualidade à internet e a outras formas de comunicação necessárias, bem como a base material mínima para compor os postos de trabalho próprios. Neste ponto, o especialista comenta o caso dos servidores públicos da UFMG, incluindo professores e TAE’s cuja função pode ser desempenhada por meio de teletrabalho. Ele chama a atenção para a necessidade de que a instituição forneça cadeiras e mesas ergonomicamente adequadamente, tendo em vista o tempo prolongado em que serão utilizados.

O uso do notebook, para o professor, também merece certo cuidado. “O notebook é um instrumento que tem características que não são adaptáveis ao trabalho ergonômico. Não é possível digitar e manter uma postura adequada, não é possível trabalhar nessa tela pequena”, analisou. Para o uso do notebook, o professor sugere que o aparelho seja usado como um processador, conectado a uma série de dispositivos externos que contribuem para a ergonomia no uso – como monitor extra, teclado, mouse e uma base para altura adequada.

O professor Francisco Lima, da Escola de Engenharia da UFMG, foi o primeiro convidado do Programa do NAD/UFMG.

Impactos sobre a saúde e perspectivas

O professor Francisco avaliou que as pessoas podem sentir impactos na saúde por conta do home office, pois o corpo humano não está adaptado à falta de movimento e a permanecer longos períodos na mesma posição, como tem sido comum durante este momento.  “O efeito físico é direto. Ele poderia ser relativamente melhorado se tivesse um posto de trabalho planejado, mas esse não é o caso. Outro problema é a intensificação do trabalho de natureza cognitiva”, observou.

A própria dinâmica da atividade docente sofreu alterações, na opinião dele, dada a mediação da interação entre professores e estudantes. “Nós todos estamos vivendo essa experiência do que é dar aula para 40 pessoas, que estão escondidas atrás de nomes e de telas de computador”, lembrou.

“O melhor que nós poderíamos para a nossa saúde mental é reconhecer que este ano, na história da humanidade, é um ano completamente extraordinário e atípico. Nós precisamos aprender outras coisas e não tentar aprender ou ensinar aquilo que foi planejado no início do ano. É um outro mundo, e a gente precisa aprender a lidar”, refletiu.

Encerrando a sua fala, o professor comentou que “gostaria de ter uma última palavra, que fosse redentora, dizer que a gente tem solução para essa situação, mas isso seria enganar muito as pessoas, não é? É impossível”. Ainda assim, ele acredita que este momento pode ser de aprendizado sobre a conciliação do trabalho presencial e remoto, bem como das condições a que estão expostos os trabalhadores. “O drama que vivemos hoje, com o isolamento, nós vamos atravessar. Nós vamos atravessar essa crise e depois faremos as coisas melhor”, finalizou.