APUBH na 14ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG
A trajetória histórica da Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG está intimamente ligada ao compromisso da universidade pública com a democracia, os direitos humanos, a reforma psiquiátrica e a construção coletiva do cuidado. Ao longo dos anos, o evento se firmou como um espaço de articulação entre universidade, serviços públicos, profissionais da saúde, movimentos sociais, usuários da rede de atenção psicossocial e a comunidade, promovendo discussões que entendem a saúde mental para além da esfera individual, considerando também seus aspectos sociais, políticos, culturais e institucionais.
Nesta 14ª edição da Semana, o tema deste ano “Democracia e cuidado: por um tempo de delicadeza” ganhou especial relevância ao propor uma reflexão sobre o cuidado como prática política e coletiva. A participação do Sindicato de professoras e professores nesse movimento é fundamental porque fortalece a defesa da universidade pública como espaço democrático, inclusivo e comprometido com o exercício do cuidado. O APUBH esteve presente na sua organização, apoio e proposição de atividades.
Além da Pró-reitoria de Extensão e Diretoria de Direitos Humanos, a nova gestão da universidade marcou presença na mesa de abertura do evento, no dia 18 de maio, com a presença do reitor, professor Alessandro Moreira, e da vice-reitora, professora Alamanda Kfoury. Em sua fala, o reitor reafirmou compromissos políticos importantes, como: a necessidade de debate constante sobre saúde mental dentro do ambiente institucional e o compromisso da gestão atual com a institucionalização da política de saúde mental dentro da UFMG.
Seguindo a programação, o primeiro dia foi marcado, ainda, pelo tradicional cortejo do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, realizado todo dia 18 de maio pela escola de samba “Liberdade Ainda que Tam-Tam”. O evento mistura carnaval, arte e manifestação social para defender o cuidado em saúde mental sem manicômios. Em 2026, o desfile saiu da Praça da Liberdade e percorreu o Centro de BH com usuários da rede de saúde mental, familiares, artistas e movimentos sociais. O tema deste ano foi: “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo!”.
No dia 19/05 foi realizado o III Sarau Antimanicomial: “Legal!”, na Arena da FAFICH, em uma parceria do APUBHo com CIAO – Centro de Estudos Ítalo-Brasileiro Franca e Franco Basaglia e a ASUSSAM – Associação dos Usuários e Usuárias dos Serviços de Saúde Mental do Estado de Minas Gerais. A atividade foi coordenada pela professora Maria Stella Brandão Goulart, professora aposentada da UFMG e integrante do Núcleo de Diálogo e Acolhimento (NADi) do APUBHUFMG+. Estiveram presentes alunos de diversos cursos, professoras da Universidade, usuários da Rede de Saúde Mental e seus familiares. O evento celebrativo contemplou expressões artísticas-culturais, roda de conversa num ambiente inclusivo e acolhedor.
O APUBH promoveu, ainda dentro da programação, a mesa redonda “Ouvidorias de mulheres: caminhos possíveis de enfrentamento às violências de gênero dentro das Universidades” que foi outro evento de muita importância e potência. Realizada no dia 20/05, no auditório da reitoria, a atividade foi muito elogiada pelas autoridades presentes, a professora Alamanda Kfoury, vice-reitora da UFMG, a professora Carla Spagnol, Pró-reitora de Recursos humanos – PRORH e a professora Luciana de Oliveira, diretora da Universidade de Direitos Humanos – UDH que demonstraram também interesse e abertura ao diálogo sobre a temática a partir dos lugares que ocupam na administração universitária. Participaram como convidadas da mesa redonda, as professoras Patrícia de Abreu Moreira, do Departamento de Direito da UFOP; Carla Apolinário, da Faculdade de Direito e Sociologia da UFF; Valéria Machado Rufino, do Departamento de Psicologia da UFPB; Tirzhá Dantas do Departamento de Engenharia Química da UFPR e Teresa Cristina Silva Kurimoto, da Escola de Enfermagem da UFMG e atual ouvidora da UFMG. A mediação foi feita por Giulia Giovani,Vice-Secretária-Geral da Diretoria Executiva do APUBHUFMG+ e professora Adjunta do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
As experiências das professoras convidadas demonstraram que os desafios são enormes, os índices de violências de gênero são alarmantes e atingem todas as formas de mulheridades dentro das Universidades: docentes, discentes, técnicas, trabalhadoras terceirizadas e outras pessoas envolvidas com a Universidade de alguma forma. Além disso, embora, os espaços de ouvidorias específicos para mulheres já estejam constituídos em algumas Universidades, o grande desafio é construir relações de confiança para que as denúncias sejam efetivadas. As convidadas destacaram que o acolhimento respeitoso é o primeiro grande passo para que uma denúncia ganhe força e forma dentro da Instituição.
Em sua fala, a professora Teresa Kurimoto, atual ouvidora da UFMG, demonstrou que o convite para participar da atividade já foi em si muito provocativo. Ao reunir a equipe da ouvidoria para pensar sobre a temática e preparar a apresentação, eles já se depararam com a insuficiência dos dados sobre violências de gênero dentro da UFMG e isso já fez com que repensem alguns campos de registro.
A mesa redonda realizada pelo sindicato, por meio do Núcleo de Acolhimento e Diálogo (NADi/APUBH) e do Grupo de trabalho sobre Mulheres, Carreira e Direitos na UFMG do APUBHUFMG+ foi uma importante iniciativa sobre a temática da violência de gênero na universidade e o APUBH precisa manter-se atento e atuante nesse campo das questões de gênero. Além disso, o evento representou uma abertura importante para um diálogo profícuo com a UFMG.
Galeria de fotos: 19/05/2026 | 3º Sarau Antimanicomial: “Legal!” | 14ª Semana de Saúde Mental da UFMG
