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Nota da SINDSEP-MG em repúdio à fala do ministro Paulo Guedes sobre os servidores públicos

Nota de repúdio publicada pelo Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no estado de Minas Gerais (SINDSEP-MG)

A Diretoria Colegiada do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no estado de Minas Gerais (SINDSEP-MG) manifesta todo seu repúdio e indignação com a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante um evento no Rio de Janeiro, no último dia 07/02. A declaração, feita em palestra na Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV EPGE) no encerramento de um seminário sobre o Pacto Federativo, foi mais um afago ao mercado financeiro.

Diante da repercussão negativa, o ministro disse que sua fala foi descontextualizada. Mentira! A verdade é que a declaração está totalmente dentro do contexto de como Bolsonaro e seus ministros tratam os servidores públicos.

Desde antes de assumir a Presidência da República, Bolsonaro atacou fiscais ambientais, dizendo que atrapalham o progresso e multam por capricho pessoal. Também já promoveu ataques contra auditores fiscais do trabalho.

Em setembro do ano passado, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamou professores de universidades federais de “zebras gordas”, acusando-os de ganhar altos salários e não trabalhar.

Paulo Guedes já havia afirmado, em maio do ano passado, que os funcionários públicos têm culpa pela “roubalheira” que atingiu o país nos últimos anos e, em setembro, assegurou que os “privilégios” dos servidores, com altos salários e estabilidade, faziam Brasília parecer “outro planeta”.

Desta vez, ao comentar as reformas administrativas pretendidas pelo governo Bolsonaro, Guedes criticou o reajuste anual dos salários dos servidores que, segundo ele, já têm como privilégio a estabilidade no emprego e “aposentadoria generosa”.

Com um discurso tendencioso, recheado de inverdades e vazio de fundamentos técnicos, demonstrando todo o seu desconhecimento sobre o serviço público, o ministro quer  induzir a sociedade a acreditar, entre outras barbaridades, que o servidor recebe reajuste salarial automático, quando é de pleno conhecimento que a última negociação salarial para a maioria do serviço público federal se deu há mais de quatro anos e apenas repôs parte da inflação até então.

Quando diz: “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, o ministro, além de fazer um comentário desrespeitoso, incompatível ao cargo, demonstra má-fé e desconhecimento quanto à realidade do funcionalismo público. Para que existisse o “aumento automático”, a Constituição deveria ser respeitada pelo Governo, com a previsão de uma data-base. O que não acontece. Hoje, para um servidor ter reajuste de salário precisa ter um Projeto de Lei que passe no Congresso e seja sancionado.

O ministro, ao invés de atacar gratuitamente os servidores, deveria cuidar melhor da economia brasileira, que se mantém com mais de 12 milhões de desempregados, 41 milhões de trabalhadores informais e 7 milhões de subocupados – números explosivos e terríveis que comprovam a desastrosa política econômica de Guedes/Bolsonaro. O hospedeiro está doente sim, senhor ministro.

Mas a doença vem dos bancos e do sistema financeiro parasita, que roubam dos cofres públicos e remuneram você, ministro, para defender os interesses deles no governo. A doença vem dos empresários parasitas sonegadores que não pagam seus impostos e fazem tudo para manter seus próprios empregados na miséria. A doença vem dos políticos parasitas que fazem da propina e da corrupção, as verdadeiras religiões. Isso sim, ministro, adoece o País.

Parasita é um cara que ficou 28 anos na Câmara e nunca aprovou um projeto sequer; um cara que colocou três filhos na mesma função; um cara cujo filho ‘rachava’ o dinheiro dos funcionários de gabinete;

Parasita é um governo que em seu primeiro ano gastou R$ 370 bilhões com o pagamento de juros da dívida pública; mais de R$ 1 bilhão com auxílio-moradia para juízes e R$ 5 bilhões com pensões para filhas solteiras de militares.

Parasitas são os grileiros, milicianos, desmatadores, corruptos e bandidos que seu governo defende. Parasita é quem destrói os serviços públicos e tira direitos dos trabalhadores! Não há Estado forte sem instituições fortes. Demonizar o servidor público é destruir as instituições e o próprio país. Mas a quem interessa a desvalorização do serviço público? Além de capacidade política e técnica, falta a Paulo Guedes a honestidade em assumir publicamente que a ele, ao governo e ao próprio presidente da República, não interessa manter serviço público para atender ao pobre. Que o objetivo do governo, não é erradicar a pobreza, mas exterminar a população pobre.

Falta ainda honestidade em reconhecer a imensa má fé com que tentam apontar os servidores públicos brasileiros como culpados dos problemas nacionais ao invés de se responsabilizarem pela sua própria incompetência.

Nós, servidores públicos, somos o Estado. Sai governo, entra governo, permanecemos aqui, garantindo a democracia, cuidando da saúde de todos brasileiros que não podem pagar um plano de saúde, levando educação às crianças que não encontram oportunidades nas escolas particulares, evitando que epidemias exterminem milhares de vidas a cada surto, lutando e morrendo a cada dia no confronto direto com o crime organizado, mantendo as garantias judiciais essenciais à cidadania, arrecadando os impostos que financiam as aposentadorias, os programas sociais, tudo aquilo que traz algum alento de equidade a um país miseravelmente desigual.

Nós, servidores públicos, fazemos parte da solução. Somos os maiores interessados em um Estado eficiente, comprometido com resultados e que entregue serviços públicos de qualidade à população.

Os servidores públicos dignos e sérios – merecem ser tratados com dignidade. Sem esse pressuposto básico, não há como avançar na construção de uma democracia forte, próspera e estável.

Esta absurda declaração revela o que esse governo pensa sobre quem dedica sua vida ao serviço público. Um desrespeito às pessoas que, mesmo enfrentando congelamento salarial e péssimas condições de trabalho, garantem o funcionamento de serviços essenciais para a população.

O SINDSEP-MG REPUDIA não só a fala do ministro Paulo Guedes, mas tudo o que ele representa enquanto porta-voz de um governo que não tem nenhum compromisso com as reais necessidades do povo brasileiro.

Esse é o momento de união de todas as categorias de servidores para fazer frente a esse governo inimigo do povo, que quer destruir os serviços públicos, fundamentais ao dia a dia da população.

Diante do absurdo que se tornou o atual governo e a crescente ofensiva contra os direitos dos pobres, minorias, trabalhadores – tanto do serviço público quanto da iniciativa privada

– o SINDSEP-MG conclama a todos e todas para o dia 18 de Março. Temos de responder na luta e nas ruas a esses absurdos ataques!