Acontece na APUBH

Um mar de manifestantes: professores, estudantes e técnico-administrativos emprestam seus corpos para a política e a arte ocuparem BH

Confira artigo da artista Débora Guedes Lemos, estudante do curso de Artes Visuais da UFMG que coordenou a performance artística “Mar de Gente”, no ato do dia 14 de junho

Um Mar de manifestantes: professores, estudantes e técnico-administrativos emprestam seus corpos para a política e a arte ocupar BH

Mar de Gente é um happening que surge durante o Movimento de Ocupações que aconteceu em 2016, em uma parceria entre os estudantes da OcupaEBA e OcupaMusica na UFMG.

É o encontro de duas obras, o ‘Divisor’, da artista brasileira Lygia Pape, que aconteceu em 1968 durante o período da Ditadura Militar, e a ‘Painting Reality’, do coletivo alemão IEPE, em 2010.

O Movimento de Ocupações de 2016 lutava contra a PEC Teto dos Gastos, que foi aprovada pelo Congresso e congela por 20 anos os investimentos em saúde e educação.

Por seu caráter essencialmente estudantil,  era comum as pautas do movimento não chegarem à camadas mais amplas da sociedade, e os atos e manifestaçoes acabavam esvaziados e mal noticiados pela mídia.

A ideia do Mar surge no intuito de levar às ruas uma manifestação imageticamente potente, que conseguisse simbolizar o caráter coletivo e pacífico do movimento, e que marcasse a cidade – até então mal informada sobre a magnitude da ocupação em todo território nacional de escolas secundaristas, universidades e institutos federais, secretarias de educação, dentre outros – com as milhares de pegadas de manifestantes que iam às ruas em defesa da Saúde e da educação.

Enquanto obra, é um acontecimento que permite aos 96 voluntários que abrem seu tecido e o sustentam por todo o ato, a experiência de compor um corpo coletivo. O Mar de Gente é, antes de tudo, uma experiência cidadã, que aciona e predispõe o corpo-sujeito, individual, assolado pela competitividade capitalista, a uma possibilidade coletiva de existência e ação.

O Mar de Gente ganhou as ruas de Brasília em 29 de novembro de 2016, com mais de 500 mil pessoas de todo o Brasil. E lá, por repressão violenta da Guarda Nacional, foi queimado pelos manifestantes que tentavam defender seu direito de manifestar.

Agora, em 2019, o Mar ressurge, mais uma vez em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas.

Na Greve Geral do dia 14 de junho, as ruas de Belo Horizonte foram mais uma vez marcadas pelas pegadas de manifestantes, estudantes e trabalhadores, que lutam contra os cortes na educação e contra a Reforma da Previdência, dois dos principais ataques do governo Bolsonaro em apenas 6 meses de mandato.