Acontece na APUBH

Rumo à greve geral de 14 de junho: o 30M ocupou as ruas de Belo Horizonte

Os três campi da UFMG (Pampulha, Saúde e Montes Claros) participaram das ações de protesto.

A Praça Afonso Arinos amanheceu diferente nesta quinta-feira. Com tendas, cartazes, mesas e cadeiras, ela se transformou em espaço de ensino e aprendizagem. Virou sala de aula para que a comunidade belo-horizontina visse de perto parte do conhecimento que a Universidade Federal de Minas Gerais produz.

 

Ao longo do dia, a “Universidade na Praça” atraiu a atenção de crianças, jovens, adultos e idosos que pararam para ouvir e aprender sobre geociências, mineração sustentável, formação e evolução da terra, dentre outros. A “Tenda da Terra” foi uma iniciativa de professores e estudantes de graduação e pós-graduação do Instituto de Geociências da UFMG. As aulas na Praça foram encerradas sob um coro de vozes que entoaram a versão de André Sá (UFS) da canção “Bella Ciao”. Um dos trechos dessa versão diz: “nossas pesquisas comprometidas. AOS CORTES, NÃO! CORTES NÃO! CORTES NÃO! NÃO! NÃO! Nossas pesquisas comprometidas, pois sem verbas já estão!”

 

A partir das 16 horas, a praça Afonso Arinos começou a tomar novos ares e a sala de aula foi ampliada. Desta vez, para ensinar ao governo a importância da educação, da ciência, da tecnologia, da democracia e da cidadania. Aos poucos, milhares de pessoas chegaram. Os manifestantes vieram da UFMG, da UEMG, do CEFET e de escolas públicas e privadas de todos os níveis da educação, mas também de movimentos sociais e sindicais diversos. Todos demonstraram indignação e vontade de lutar contra os graves ataques do governo à educação e ao direito da população a uma aposentadoria digna. Às 18 horas, o ato em Defesa da Educação e contra a Reforma da Previdência tomou completamente a praça e as ruas próximas.

 

Saindo em direção à Praça da Estação, 200 mil manifestantes caminharam pelas avenidas João Pinheiro, Afonso Pena, Amazonas e Andradas no protesto contra a redução do orçamento destinado à educação e a reforma da previdência proposta pelo governo. Tal reforma, se aprovada, prejudicará milhões de trabalhadores dos setores públicos e privados, dada a introdução do sistema de capitalização da previdência, acompanhada da redução do valor dos benefícios e aumento do tempo de contribuição.

 

Mais uma vez, o 30M em Belo Horizonte foi um dos atos maiores do país e representou mais um passo na caminhada rumo à greve geral de 14 de junho, aprovada pelos docentes da em assembleia convocada pelo APUBH, em 24 de maio.