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Ocupação do antigo DOPS completa um ano: luta popular por memória, verdade e justiça

Ato Político, no prédio do antigo DOPS, em repúdio ao golpe de 1964 e em comemoração ao 1º ano de ocupação e reabertura do memorial | Foto: Acervo do APUBHUFMG+.

No último dia 1º de abril, comemoramos um ano da ocupação e reabertura do prédio do antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), em Belo Horizonte. Para marcar a data, ativistas de direitos humanos e movimentos sindicais e sociais promoveram um ato político no local. A manifestação também reafirmou o repúdio aos 62 anos do golpe de 1964. 

O APUBHUFMG+ contribuiu para a realização do ato político, além de fazer parte de sua realização. Na ocasião, estiveram presentes a professora Andrea Macedo, 1ª vice-presidenta do sindicato, e o professor Paulo Beirão, integrante da Diretoria Setorial Ciência, Tecnologia e Educação. 

Durante a ditadura empresarial-militar, o prédio do DOPS serviu para a prisão, a tortura e a execução de quem resistiu àquele regime autoritário. Agora, o espaço abriga uma iniciativa popular por memória, verdade, justiça e reparação. Desde a reabertura do prédio, o memorial tem recebido visitas mediadas, além de atividades culturais e educativas. 

Nesse sentido, as pessoas presentes ao ato do dia 1º de abril aprovaram, por unanimidade, a fundação da Associação do Memorial de Direitos Humanos Ocupado (AMDHO), que ficará responsável pela elaboração e administração do espaço. Esse é um passo fundamental para dar sequência ao trabalho que já vem sendo desenvolvido.  

Ressignificar o espaço, por meio do resgate da memória, é uma verdadeira forma de resistência. A luta popular busca construir uma ação concreta de defesa dos direitos humanos e de enfrentamento aos germes do fascismo entranhados no país. 

O APUBHUFMG+ contribuiu para a realização do ato político, além de fazer parte de sua realização | Foto: Acervo do APUBHUFMG+.

Docentes da UFMG relembram horrores da ditadura 

Em meio à concentração para o ato em repúdio ao golpe de 1964, professore(a)s da UFMG, que foram vítimas daquele regime autoritário, percorreram a antiga sede do DOPS. Entre este(a)s docentes, houve até mesmo quem chegou a sofrer tortura. O(a)s professore(a)s compartilharam lembranças dos horrores vividos naquela época e que vieram à tona, junto com os traumas pessoais e a tristeza pela perda de companheiro(a)s de luta. 

Para a professora Andrea Macedo, esse(a)s professore(a)s são a história viva do nosso país. O testemunho dessas pessoas é fundamental para garantir que casos como esses não voltem a acontecer. Ainda mais no atual momento histórico, em que certas lideranças políticas se promovem, exaltando a ditadura empresarial-militar e os seus torturadores. 

Diante desse cenário, reafirmamos a nossa disposição de enfrentar as forças políticas herdeiras do golpe empresarial-militar, que seguem ameaçando os direitos humanos e as liberdades democráticas no Brasil. 

Professore(a)s da UFMG estão entre as vítimas da ditadura. Algumas dessas pessoas chegaram até mesmo a sofrer tortura | Fotos: Acervo do APUBHUFMG+.

GALERIA DE FOTOS: 01/04/2026 | Ato Político em repúdio ao golpe de 1964 e fundação da Associação do Memorial de Direitos Humanos Ocupado – AMDHO