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MST ocupou as ruas de BH em defesa da soberania popular e contra o avanço da extrema direita

A capital mineira amanheceu diferente na última sexta-feira (11/09). Bem no início da manhã, cerca  de 3 mil trabalhadoras e trabalhadores sem-terra vieram de diferentes regiões do estado para protagonizar uma grande passeata em defesa da soberania popular, democracia, reforma agrária e direitos para o povo do campo e da cidade.

Organizada pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), a jornada de mobilização teve a adesão de movimentos sindicais e populares e forças partidárias progressistas. A concentração para a passeata do MST ocorreu na Praça da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais). De lá, a multidão seguiu em caminhada rumo à região central de Belo Horizonte.

O trajeto contou com um protesto em frente à sede da Cemig, onde as trabalhadoras e os trabalhadores reivindicaram acesso à energia elétrica em assentamentos e comunidades rurais. Trata-se de uma manifestação justa, uma vez que  a energia elétrica é um serviço essencial e  fundamental para a qualidade de vida das pessoas. No caso das famílias assentadas, em especial, a eletrificação contribui para o armazenamento e o beneficiamento de alimentos e também para a infraestrutura das comunidades. Tanto o armazenamento, quanto o beneficiamento dos alimentos alimentam populações para além dos assentamentos, o que torna ainda mais justa a manifestação em frente à Cemig.

De acordo com levantamento do MST, mais de 4 mil pedidos de ligação de energia seguem parados na Cemig, que tem sido intencionalmente prejudicada desde o início do primeiro governo Zema e agora no governo Simões em um projeto claro de sucateamento destinado à privatização da estatal. A situação de não atendimento dos pedidos de ligação de energia afeta 762 famílias assentadas. Por isso mesmo, o protesto cobrou a adesão do governo de Minas Gerais e da companhia ao programa federal “Luz para Todos”. O MST espera que sejam atendidos os pedidos de ligação, assim como cobra  mais transparência sobre a prestação de serviço às comunidades rurais contempladas.

Já na parte da tarde, embaixo do Viaduto Santa Tereza, ocorreu o Ato pela Reforma Agrária Popular, com a presença da ministra Fernanda Machiaveli, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). E na parte da noite, os movimentos sindicais e populares promoveram uma manifestação na Praça Sete, com o mote “ocupar as ruas, defender a soberania”. As entidades sindicais e populares presentes no ato reiteraram o apoio à candidatura de Lula e a luta em defesa da soberania do Brasil.

Finalizando a jornada de lutas de 11 de setembro, foi promovido o Festival Anti-imperialista.  A forte presença do MST em Belo Horizonte foi marcada ainda pela realização da sexta edição da Feira Estadual da Reforma Agrária de Minas Gerais. Entre os dias 11 e 13 de setembro, na Serraria Souza Pinto, o espaço recebeu a produção das famílias acampadas e assentadas do MST. Além da comercialização de alimentos, a Feira também promoveu uma rica programação cultural e formativa.

Diante do cenário atual, em que enfrentamos as ofensivas da extrema direita e traições à pátria, essa iniciativa de mobilização nos inspira e reforça a luta pela construção de um projeto popular e soberano para o Brasil.