Acontece no APUBH

Democracia se constrói com debate público, plural e sem favorecimento de candidaturas

O cenário estava montado. Todos contra Lula, mas dessa vez  o Presidente Lula disse não ao debate da Rede Globo e optou por dialogar com o povo brasileiro valendo-se de um programa regularmente veiculado nas redes sociais. Vale destacar que a participação em debates eleitorais é facultativa. 

A retaliação estava preparada. Púlpito vazio com o nome do atual Presidente da República ao qual seriam feitas questões que ele não poderia responder em tempo hábil, e que seriam utilizadas para desgastar sua imagem e favorecer a candidatura de seu principal adversário.

Em caráter liminar, a ministra  do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, concedeu uma decisão impedindo que os convidados para o debate escolhidos pela Globo pudessem dirigir perguntas a um candidato ausente, bem como realizar comentários complementares às perguntas diante da ausência de resposta. Outra decisão proferida pelo Ministro Gilmar Mendes do Superior Tribunal Federal (STF) determinou a participação de um candidato da extrema direita que estava à frente de vários convidados, mas que ataca igualmente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu principal adversário nessas eleições, Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, assim que ficou ciente de que o palco criado pela Globo para beneficiá-lo e atacar Lula não poderia acontecer dentro do planejamento inicial, informou que também não participaria do evento. 

Impedida de realizar seu estratagema, a Globo emitiu nota cancelando o debate próximo do horário marcado para o seu início para acusar interferência da justiça contra um evento que, apenas aparentemente, havia sido configurado para fortalecer a democracia. Não é mera coincidência o fato de que a acusação da Globo de interferência da justiça federal para prejudicar a “liberdade e a democracia” está em total acordo com as declarações de Donald Trump e de seu Secretário de Estado Marco Rúbio, cujo objetivo de interferência nas eleições e desrespeito às instituições brasileiras é conhecido por todas as pessoas que não se deixam manipular pelas narrativas da extrema-direita. 

A longa história da Globo de manipulação de informações e produção de farsas grotescas e antidemocráticas mostra que esse é apenas mais um triste e revoltante episódio de desonestidade jornalística. A manipulação do debate realizado pela Globo, em 1989, em favor do  candidato, posteriormente eleito como presidente, Fernando Collor e em desfavor do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva é outro episódio conhecido. O trabalho realizado pela emissora em apoio aos horrores da ditadura civil-militar de 1964 nos leva a outros inúmeros exemplos de desonestidade jornalística e ataques aos princípios democráticos.

Apoiamos integralmente as medidas tomadas no âmbito jurídico para coibir os excessos antidemocráticos e farsescos da Rede Globo. Não concordamos com a tese de censura e de ingerências da justiça em prejuízo do exercício da liberdade editorial da emissora! 

Fiquemos atentos e vigilantes na defesa das Instituições e dos procedimentos necessários à garantia das liberdades democráticas e do respeito ao direito de livre manifestação dos eleitores e das eleitoras brasileira(o)s nas urnas no próximo 4 de outubro cuja escolha não pode se pautar em mentiras e falsas acusações. Abaixo a Rede Globo. O povo não é bobo!