Acontece no APUBH

Alvorada Mulheres: APUBH UFMG+ participou de debate online com professoras sindicalistas

“Dia das professoras e professores: o que queremos e o que temos para comemorar?” foi o tema do programa, promovido pelo Coletivo Alvorada. Assista ao vídeo do debate, na íntegra.

Alvorada Mulheres: APUBH UFMG+ participou de debate online com professoras sindicalistas

“Dia das professoras e professores: o que queremos e o que temos para comemorar?” foi o tema do programa, promovido pelo Coletivo Alvorada. Assista ao vídeo do debate, na íntegra.

Mulheres, professoras, sindicalistas. Essas foram as convidadas do Programa Alvoradas Mulheres, na noite de ontem (07/10), que colocou em debate o tema “Dia das professoras e professores: o que queremos e o que temos para comemorar?”. A live foi transmitida pelo Canal do Coletivo Alvorada, através do Facebook e Youtube. Assista ao vídeo, na íntegra, através do link a seguir: https://youtu.be/w4ZewQJzUHk

O APUBH UFMG+ esteve presente na live, sendo representado por sua presidenta, professora Maria Rosaria Barbato. O debate também contou com a presença das professoras Valéria Morato, presidenta do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (SINPRO Minas) e da CTB/MG, Denise de Paula Romano, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), e Flávia Silvestre, diretora do Sindicato dos trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (SINDREDE-BH). A conversa foi conduzida pelas integrantes do coletivo, Elianinha Guedes e Laura Oliveira.

A professora Maria Rosaria, em sua participação na live, abordou o papel do movimento sindical para enfrentar o cenário atual do Brasil, em que enfrentamos a pandemia da Covid-19 e a necropolítica do Governo Bolsonaro. Em especial, a professora alertou para a contínua diminuição de investimentos no setor da educação, que afeta diretamente o ensino e a produção científica no país.

 

Sobre a atuação especifica do Sindicato APUBH, a docente ressaltou a importância da luta política ao destacar exemplos de lutas imediatas travadas em defesa  da vida: as mobilizações da categoria para a luta junto à prefeitura, o governo do Estado e o governo Federal para adiar, o tanto quanto fosse possível, a volta de qualquer atividade presencial nas universidades; as lutas pelos direitos da categoria: a discussão sobre as restrições ao direito de afastamento ou sobre o trabalho voluntário na UFMG e a defesa da autonomia da atuação docente. Neste último caso, o questionamento da proposta de nova resolução da UFMG que, entre outras coisas, formaliza e legitima a possibilidade de financiamento privado para ensino, pesquisa e extensão. De acordo com ela, essa frente de atuação é indissociável da luta econômica, uma vez que as decisões que afetam a categoria e, até mesmo, podem causar a destruição da educação, são adotadas nas esferas políticas.

De acordo com a docente, esse conjunto de ataques são reflexo da agenda ultraneoliberal em implementação país, que se manifesta através de tentativas de desmonte do Estado e de incentivo às privatizações. A expressão maior dessas medidas, como ela observou, está na PEC 32, que impõe uma série de retrocessos à carreira do funcionalismo público, bem como afeta diretamente os serviços prestados à população. Nesse sentido, ela reforçou o empenho do sindicato de retomar o espaço da categoria docente da UFMG no cenário nacional de lutas, para fazer frente a esses retrocessos. “Através da luta política, estivemos movendo ações, em defesa da vida, da carreira e da existência da nossa categoria, contra esse governo ultraneoliberal, privatista, que quer destruir o ensino público”, definiu a presidenta do APUBH UFMG+.

Assim, o combate à PEC 32 e a defesa da educação tem movido o sindicato ao longo deste ano. Nessa luta, a professora destacou a parceria com as entidades do setor da educação, formando um “bloco contra-hegemônico poderoso em nosso estado”. “Nós participamos de inúmeros atos públicos em defesa da vida, a partir das carreatas, realizadas no início do ano, até os atos do Fora Bolsonaro, que têm como objetivo denunciar a política de morte do governo, bem como criar a esperança de uma derrota e abrir um novo horizonte para o povo deste país”, definiu a presidenta do APUBH UFMG+.

Alvoradas Mulheres: “Dia das professoras e professores: o que queremos e o que temos para comemorar?”, no dia 07/10| Produção Canal Coletivo Alvorada.

Os desafios da Educação em Minas Gerais

A professora Denise de Paula Romano, coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, pontuou que, a despeito das declarações do governo de Minas Gerais, o piso salarial da categoria não tem sido respeitado. De acordo com ela, essa tem sido uma das principais bandeiras de luta da categoria, assim como os seus demais direitos. A sindicalista reforçou ainda o compromisso de lutar “por uma educação socialmente referenciada e pelo direito de continuar ensinando, de continuar exercendo o nosso ofício de ensinar e de aprender”. “O sindicato precisa continuar existindo e resistindo, nesse período de tantos ataques. Nós temos feito muitas lutas para resistir e para responder a esses ataques”, definiu Denise Romano.

Já a professora Flávia Silvestre, integrante da diretoria colegiada do SINDREDE-BH, destacou que as principais bandeiras de luta da categoria têm sido pelo pagamento do piso salarial, para garantir que um terço da jornada de trabalho possa ser dedicado ao planejamento e para assegurar os direitos trabalhistas dos terceirizados.  A professora reforçou a luta para assegurar o repasse de verbas públicas para a educação. Ela destacou ainda a luta da categoria pela implementação de uma gestão nas escolas que seja, de fato, democrática, “uma gestão que seja feita pelo coletivo das escolas”. “A escola que nós queremos é a escola dos filhos dos trabalhadores. É para eles que nós estamos lá. É esse tipo de escola que nós queremos construir, cada vez mais democrática de verdade”, definiu a sindicalista.

Prosseguindo com o debate, a professora Valéria Morato, presidenta do SINPRO Minas, fez um panorama da realidade enfrentada pelos professores da rede privada de ensino do estado. A professora alertou que a categoria tem ficado exausta nesse período de aulas virtuais, devido à pandemia da Covid-19. Nesse sentido, de acordo com ela, a categoria tem lutado pelo direito à desconexão – ou seja, o direito de serem não acionados, fora do horário de trabalho, por meio e-mail, aplicativos ou redes sociais – e pelo direito de imagem – uma vez que há instituições comercializando gravações das aulas dos professores. “Nós lutamos, durante o ano de 2020 e do ano de 2021, para a manutenção dos direitos conquistados, até então, e para garantir a vida das professoras e dos professores”, definiu a presidenta Minas.