Acontece no APUBH

“A Caixa do Trabalho”: NADi-APUBH conduziu oficina no evento de 115 anos da Faculdade de Farmácia

No dia 27 de agosto, o Núcleo de Acolhimento e Diálogo (NADi) do APUBHUFMG+ participou das atividades comemorativas dos 115 anos da Faculdade de Farmácia (FAFAR)
da UFMG, com a realização da oficina “A Caixa do Trabalho”. A atividade foi conduzida pela psicóloga do NADi, Alexia Silva, em parceria com a professora Giulia Villela Giovani, vice-secretária geral do APUBHUFMG+, a convite do projeto de extensão Travessias, e constituiu-se como um espaço aberto de escuta, reflexão e diálogo, com a participação de servidoras e servidores da universidade.

“Acho que esse é também um papel muito importante do sindicato: estar próximo das pessoas, criar espaços de escuta e de diálogo e, a partir dessas experiências, pensar coletivamente caminhos para transformar aquilo que precisa ser transformado. Esses encontros nos permitem acolher, aprender uns com os outros, fortalecer vínculos e também refletir sobre quais mecanismos podemos construir e quais ações podemos reivindicar da própria Universidade para tornar nossos ambientes de trabalho mais saudáveis”, destacou a professora Giulia Villela Giovani.

A partir da metáfora da caixa, os participantes foram convidados a refletir sobre os diferentes sentidos e significados atribuídos ao trabalho e sobre aquilo que ele mobiliza em suas vidas. A discussão revelou a complexidade das experiências vivenciadas na UFMG, trazendo à tona questões relacionadas às condições e à organização das atividades, mas também às relações que se estabelecem nesse espaço. Entre os aspectos debatidos estiveram a dificuldade de construir uma compreensão coletiva sobre problemas e tensões vivenciadas no cotidiano, bem como os efeitos da individualização, da competitividade e de determinados ideais punitivos que atravessam as relações institucionais.

As discussões reforçaram que o trabalho não pode ser compreendido apenas a partir das responsabilidades pessoais, uma vez que também é transposto pelas condições materiais em que as atividades são realizadas, pelas formas de organização, pelo reconhecimento, pela participação coletiva, pela possibilidade de diálogo ou pela ausência desses fatores. Nesse sentido, a construção da saúde e do bem-estar no ambiente institucional das universidades implica também em discutir se as relações e práticas coletivas têm sido capazes de produzir um espaço mais acolhedor, democrático e capaz de reconhecer as potencialidades e os desafios das trabalhadoras e dos trabalhadores. 

A conversa, contudo, também evidenciou que, mesmo individualmente, a relação com o trabalho é atravessada por diferentes sentidos e significados. Para além das situações de sobrecarga, conflitos, pressões e todos os demais impedimentos que se colocam frente às trabalhadoras e aos trabalhadores, é possível reconhecer em suas trajetórias os sentimentos de pertencimento, realização, propósito e produção de sentido. Essa dimensão não elimina as contradições existentes, mas demonstra que transformar as condições institucionais também significa reconhecer, preservar e fortalecer o que faz com que as pessoas encontrem significado no trabalho que realizam.

Ao final da oficina, a pergunta “Se pudéssemos escolher o que queremos colocar dentro da nossa caixa do trabalho, o que colocaríamos?” retomou a metáfora inicial e provocou uma construção coletiva sobre aquilo que se deseja construir e/ou cultivar no cotidiano institucional. Entre as palavras escolhidas, estavam presentes coletividade, sentimento, esperança, automotivação, respeito, equilíbrio, acolhimento e prazer, que expressavam, para além dos desejos individuais, os elementos considerados essenciais para a construção de uma experiência coletiva exitosa.

A caixa permaneceu na Faculdade de Farmácia como registro da oficina e como possibilidade de continuidade dessa construção. A proposta é que ela possa posteriormente ser convertida em um painel, carta ou outro registro coletivo dos 115 anos da FAFAR, mantendo aberta a discussão sobre quais condições de trabalho deseja-se produzir e sobre o que precisa ser transformado para que aquilo que foi nomeado como desejo também possa encontrar lugar na vida institucional.

Confira as imagens da Oficina: https://apubh.org.br/galerias/27-08-2026-nadi-apubh-conduziu-a-oficina-a-caixa-do-trabalho-no-evento-de-115-anos-da-faculdade-de-farmacia-da-ufmg/