COPASA e METRÔ: amostras dos impactos da privatização de serviços essenciais
Matéria publicada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação Distribuição de Água e Serviço de Esgotos do Estado de Minas Gerais (SINDÁGUA) denuncia: ‘Gestão da COPASA leva trabalhadores a doenças psicossociais’.
Segundo a notícia, “milhares de trabalhadores estão sendo transferidos — grande parcela deles para mais de 500 ou 800 quilômetros de suas residências — de uma forma intempestiva e sem nenhum direito de resistir. A medida autoritária, antissocial, desumana e que atropela o respeito mínimo vem provocando um desajuste familiar e social gigantesco, com crianças correndo o risco de perder o ano letivo e precisando de transferências escolares, pais sendo obrigados a levar as famílias para locais extremamente distantes, um estresse familiar imenso, gastos com nova moradia, abandono de imóveis consolidados e problemas sociais terríveis.”
Vale ainda destacar que essa medida autoritária está em evidente desacordo com a Norma Regulamentadora (NR-01), editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para a eliminação de fatores em ambientes de trabalho que levam a doenças psicossociais.
Essa é mais uma pequena amostra do que está por vir se a privatização da COPASA for concluída. A luta contra a privatização, contestada na justiça, continua. A Audiência Pública marcada para esta sexta-feira, dia 3, às 10 horas, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para discutir os problemas graves enfrentados pelo(a)s trabalhadore(a)s da Copasa com a gestão da empresa, é mais uma ação de resistência contra a sua entrega para investidores do mercado financeiro.
Compondo esse cenário de entrega de serviços essenciais para serem utilizados como fonte de lucro pela iniciativa privada, temos o quarto aumento da passagem do metrô de Belo Horizonte, que custa, a partir de 01 de julho, 6 reais.
Segundo a presidenta do SINDIMETRO, Alda Lúcia Fernandes dos Santos, em mensagem compartilhada com o APUBH, este quarto aumento “(…) representa um reajuste de 41% em apenas três anos, mais que o dobro da inflação acumulada no período. Diante de mais um aumento, fica a pergunta: para onde vai esse dinheiro?
A resposta certamente não está na ampliação e na modernização do sistema. Os passageiros convivem com mais tempo de espera, interrupções frequentes e um serviço que continua longe das melhorias prometidas. Além disso, os investimentos na expansão do metrô são financiados com recursos públicos e pelos repasses do acordo de Brumadinho, e não pelo caixa da concessionária.
Esse dinheiro também não chega aos trabalhadores. Desde a privatização, a categoria enfrenta demissões, perda de direitos, precarização das condições de trabalho e está há anos sem aumento real dos salários. Quem opera o metrô também paga a conta desse modelo.
No fim, os sucessivos aumentos das tarifas beneficiam um pequeno grupo de empresários, enquanto passageiros pagam mais caro por um serviço pior e trabalhadores perdem direitos.”
A luta contra a privatização de empresas públicas que prestam serviços essenciais à população exige unidade de ação dos movimentos estudantil, sindical e popular, o que temos procurado construir fortalecendo as iniciativas da Secretaria Estadual das Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, combinando ação direta nas ruas, pressão nas redes e no parlamento. Especificamente na forma de luta que incide nos espaços institucionais do Legislativo e do Executivo, temos regularmente chamado a atenção, em matérias publicadas no Informativo Semanal do APUBH que, fatos como os relatados aqui, devem nos fazer pensar sobre que projeto de sociedade vamos escolher nas urnas, em outubro.
Defendemos para os Executivos e Legislativos estaduais e federais a escolha de candidata(o)s que façam avançar um projeto de sociedade que valorize o serviço público para atender de forma universal e qualificada toda a população brasileira, contra a lógica privatista cujo principal objetivo é converter serviços essenciais em mercadoria para gerar lucro para um pequeno grupo de empresários e operadores do mercado financeiro.
Especificamente, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e no Congresso Nacional, devemos mandar para casa o(a)s amigo(a)s do mercado e inimigo(a)s do povo elegendo verdadeiro(a)s representantes do povo trabalhador!
