8M de 2026 em BH: fomos às ruas pela vida das mulheres! Vivas, livres e sem medo!
*Por Marlise Matos, diretora da Setorial de Saúde, Acolhimento e Diversidade do APUBHUFMG+ e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM/UFMG)

No domingo do 8 de março de 2026, centenas de mulheres e homens, reunidos a partir de movimentos sociais (MST, MAB, movimento estudantil, negro e populares de todas as ordens), sindicatos, partidos políticos, representantes parlamentares, ativistas de ONGs e todo o tipo de organização da sociedade civil, bem como outros apoiadores, foram às ruas de Belo Horizonte contra a escalada assustadora das violências e abusos contra mulheres e meninas no país, contra o imperialismo e pelo fim da escala 6 por 1, mas, sobretudo, pela defesa da nossa soberania e da democracia brasileira.
Motivos para manifestar publicamente e reagir contra tantas violações dos nossos direitos não nos faltam e, aqui em Minas Gerais, o protesto também veio recheado de denúncias contra o silêncio das políticas públicas para as mulheres do governo de Romeu Zema (Novo), uma ausência que colabora com o crescimento dos números assustadores dessas violências (públicas e privadas). Denunciou-se o desmonte dessas políticas, sendo esta uma das camadas que dão sentido explicativo para os absurdos que as mulheres estão vivendo: omissão, senão a conivência estatal, como claramente se pode observar no caso da absolvição do estuprador da menina de 12 anos pelo TJMG.

Entre palavras de ordem, discursos em carros de som, cartazes, cortejos, performances artísticas, homenagens às vítimas de violência e muita criatividade na ocupação do espaço público, defendeu-se ainda a urgente necessidade de ampliação da participação das mulheres na política e as formas deletérias de violência política, presenciais e digitais, sofridas por eleitas e candidatas em Minas Gerais: uma ferida aberta da democracia brasileira que merece menção, sobretudo, em um ano eleitoral tão decisivo como será 2026. Para além do Ato, há que se destacar a instalação com 160 cruzes montada na Praça da Liberdade para representar mulheres assassinadas em Minas Gerais nos últimos dois anos, uma intervenção organizada pelo coletivo Casa das Marias.
A Campanha do 8M desenvolvida pelo APUBHUFMG+ em parceria com o NEPEM UFMG esteve lá, trazendo seus cartazes, slogans, adesivos e muita energia vibrante para fortalecer uma luta que se mostra incansável.
Ocupar as ruas é, e vai continuar sendo, a forma histórica das mulheres exigirem seus direitos, sua proteção, clamarem por mais justiça, por outro pacto civilizatório que coloque como urgência política enfrentar o machismo e o racismo estruturais no Brasil e garantir o direito das mulheres a uma vida plena sem violências!

