Acontece na APUBH

Nova presidência da CAPES: a negação da Ciência

A teoria da involução | Charge: LOR.

O APUBH UFMG+ vem manifestar sua indignação diante da indicação do Prof. Dr. Benedito Aguiar, reitor da Universidade Makenzie, para o cargo de Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

Junto com o CNPq, a CAPES constitui agência governamental responsável pela promoção da produção do conhecimento científico, sua divulgação e difusão para a comunidade acadêmica, a sociedade e as novas gerações, através da articulação com a escola básica. Por isso, o compromisso do gestor da CAPES precisa ser com os postulados da Ciência, sua produção e difusão.

Ao escolher para esse cargo um nome identificado com o chamado design inteligente, corrente criacionista que busca imitar a linguagem da biologia para passar-se como científica, nega-se os mais básicos princípios da Ciência e da forma científica de pensar. O design inteligente constitui, na verdade, expressão do fundamentalismo religioso e da extrema-direita política.

Vale lembrar que a evolução é fato. Tornou-se conhecida pela humanidade através de séculos de acumulo de evidências da história natural, sendo elemento central e organizador da biologia e das áreas aplicadas a ela associadas, como a medicina. Não é possível imaginar o desenvolvimento de novos medicamentos ou a compreensão da epidemiologia de doenças infecciosas sem reconhecer a evolução como fato e sem utilizar o que sabemos sobre seus mecanismos.

A escolha de um nome identificado com esta perspectiva para dirigir uma agência científica assinala a ruptura com a ciência contemporânea e sua história. Ameaça o desenvolvimento do país e do seu povo, uma vez que torna-se um obstáculo para a compreensão dos desafios quanto à preservação da biodiversidade, ao impacto das mudanças climáticas, ao aparecimento de novas doenças e à possibilidade de desenvolver novos alimentos e medicamentos, além de empobrecer imensamente a imaginação a respeito da natureza e a reflexão do indivíduo sobre seu lugar e papel nela.

A escolha assinala também a ruptura com a história da CAPES e com os compromissos que definem sua fundação. Ao fazê-la, o governo Bolsonaro agride a comunidade científica em sua luta pelo desenvolvimento de uma Ciência soberana no país e agride a memória dos cientistas e educadores que vêm, ao longo da história da Ciência brasileira, lutando pela sua produção e socialização.

Ao indicar o Dr. Benedito Aguiar, o governo Bolsonaro reafirma seu compromisso com o atraso e com o retrocesso, sabotando o desenvolvimento soberano do país.

A comunidade científica, no entanto, não se submeterá a mais esta agressão. Estaremos vigilantes na defesa da Ciência, na resistência ao atraso e obscurantismo representados pelos atos do governo contra a Educação e a Ciência brasileiras.

Sindicato dos Professores de Universidades Federais de
Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco – APUBH UFMG+

 

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