Acontece na APUBH

Colóquio ‘Educação Superior: dimensões e perspectivas transdisciplinares’ debateu o ‘Future-se’

Discussão foi promovida pelo APUBH, em parceria com o IEAT e a FaE/UFMG

O APUBH promoveu na tarde de ontem (17/10), em parceria com o IEAT e a Faculdade de Educação (FaE) da UFMG, o colóquio “Educação Superior: dimensões e perspectivas transdisciplinares”, com o tema “Future-se em perspectiva”. A atividade contou com a presença do professor João dos Reis (UFSCAR) e da professora Margarida Salomão (UFJF), que também é deputada federal e coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais. O colóquio foi realizado no auditório 1 da Face e integrou a programação da Semana do Conhecimento da UFMG.

A primeira mesa, “Future-se: mercantilização e autoritarismo”, começou com a exposição do professor João dos Reis, que fez uma análise panorâmica das mudanças estruturais nas universidades. Segundo ele, dois grandes fatores influenciam as transformações mais recentes: os ciclos de movimentação do capital e as reformas no aparelho estatal brasileiro que foram realizadas nos governos FHC, Lula e Dilma. João dos Reis fez um comparativo entre o “Future-se” e a estrutura das novas universidades norte-americanas para sustentar a tese de que o programa proposto pelo governo bolsonaro aponta para a comercialização do conhecimento que, ao ser transformado em commodity, passa obedecer aos desejos do mercado.

Em sua exposição na mesa, a presidenta do APUBH, professora Stella Goulart Brandão, abordou as especificidades da nova versão do projeto “Future-se” do MEC. Entre as novidades estão a participação das fundações de apoio e a remoção do eixo “governança, gestão e empreendedorismo”. Segundo Stella, apesar de ser uma versão mais aprimorada, o novo “Future-se” ainda deixa dúvidas sobre os impactos de sua implantação. A presidenta aproveitou para divulgar as ações do APUBH nas esferas legislativas em defesa da educação e ciência públicas e clamou por uma “retomada de um projeto de esperança e dignidade” para o povo brasileiro.

A segunda mesa, “Future-se: invenção de uma nova crise”, foi composta pela professora e deputada federal Margarida Salomão e pelo professor da FaE Wagner Auareck. Em sua fala, Margarida falou sobre os atuais desafios da educação superior pública brasileira, que são diferentes daqueles que o governo federal escolhe pautar. Segundo ela, os reais desafios são a: (a) a permanência dos estudantes com um perfil demográfico diferente, que foi impulsionado pela mudança promovida pelas cotas raciais e sociais; (b)  manutenção e conservação dos campi criados durante a expansão das universidades dentro do projeto Reuni. Concluindo, a deputada reafirmou seu compromisso com a defesa da educação superior pública e disse ser necessário que a sociedade desenvolva e imponha suas próprias pautas para a universidade, a fim de resistir aos ataques vindos do governo Bolsonaro.