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57 anos do golpe militar: relembrar para não reviver

Em 31 de março de 1964, os militares, com apoio dos Estados Unidos da América e de nossas elites socioeconômicas, promoveram um golpe militar no Brasil. Iniciou-se, aí, um período de perseguição política, de restrição das liberdades civis, de ofensas aos direitos humanos, de torturas, de desaparecimentos e de mortes.

Foi um período nefasto da história brasileira, que o atual Presidente da República não se cansa de exaltar, ofendendo os princípios da jovem democracia brasileira.

Não foram apenas anos de chumbo, de censura e de perseguição política. Foi o período em que o abismo social brasileiro atingiu seu ápice. O poder real de compra do salário mínimo caiu em 50%. Os 10% mais ricos dos brasileiros, que, em 1960, possuíam 38% da renda nacional, chegaram a 51% em 1980. Os mais pobres, que tinham 17% da renda em 1960, passaram a ter 12% duas décadas depois. Quando saíram do poder, os militares deixaram em sua esteira uma dívida de US$ 102,1 bilhões, para um Produto Interno Bruto (PIB) que à época era de US$ 189,7 bilhões.

Estes dados são ilustrativos do atual desastre econômico do Governo Federal.

Este governo, atualmente, conta com o maior número de militares em postos de comando desde a redemocratização. Isso não pode ser jamais esquecido.

Junto à justiça, o Governo Bolsonaro conquistou o direito de realizar comemorações alusivas ao golpe de Estado. Na ordem do dia publicada no dia 30 de março de 2020, defende-se, num vocabulário antiquado, oriundo de um período de Guerra Fria, que: “As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País”. Diz-se também que: “O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”. A “ordem do dia” foi assinada pelo General Walter Souza Braga Neto, como seu primeiro ato público como Ministro de Estado de Defesa.

Em resposta ao Sr. Ministro da Defesa, devemos pronunciar um sonoro “Não”. O Golpe de 1964 jamais deve ser celebrado. Deve ser um marco histórico de tudo aquilo que não devemos reviver.

A repulsa ao Golpe de Estado de 31 de março de 1964 é mais oportuna ainda na data de hoje. O atual governo, em sua sanha autoritária, dá demonstrações evidentes de querer que voltemos a um período “de chumbo”.

Foi barrado na Câmara, ainda no último dia 30 de março, um projeto do líder do PSL, Victor Hugo (GO), que, se aprovado, daria a Jair Bolsonaro poder de acionar, por causa da pandemia que vivemos, o dispositivo chamado “mobilização nacional”. Esse dispositivo, dentre outras medidas, estabelece que o poder executivo pode agir em fatores de produção públicos e privados, promovendo a requisição e a ocupação de bens e serviços, e a convocação de civis e militares para ações determinadas pelo governo federal. Trata-se de concessão de um poder quase absoluto ao presidente.

No último ano, o governo Bolsonaro, um governo de militares e de tecnocratas neoliberais a serviço de banqueiros e dos interesses capitalistas internacionais, provou sua completa incapacidade de gerir o caos sanitário nascido com a pandemia. Na verdade, sua a negligência com relação à calamidade que vivemos afigura-se como um projeto político de poder. E a herança dos regimes militares, a quem Bolsonaro tanto rememora e glorifica, ensinou-nos que jamais devemos permitir o retorno desse tipo de governo.

#Ditaduranuncamais

#ForaGovernoBolsonaro

#ForaGovernoDeFome

#ForaGovernoDeMorte

 

APUBHUFMG+ – Sindicato dos Professores da Universidade Federal de Minas Gerais e Campus Ouro Branco/UFSJ – Gestão Travessias na Luta – 2020/2022