Estreia no dia 18/09 a montagem teatral Desmonte de uma Mulher que grunhe do Grupo de Teatro Mulheres Míticas
Nos dias 18 e 19 de setembro, o Grupo de Teatro Mulheres Míticas apresenta o espetáculo Desmonte de uma Mulher que grunhe, com Jéssica Ribas, atriz e dramaturga e direção de Sara Rojo, diretora teatral, Professora Titular da UFMG e bolsista de produtividade do CNPq. As apresentações são gratuitas sujeitas à lotação dos espaços. O espetáculo recebeu o apoio do APUBHUFMG+, por meio do Edital APUBHUFMG+ 01/ 2025 – Apoio a Projetos e Ações de Professoras e Professores Filiado(a)s.
A estreia do espetáculo será no dia 18 de setembro, às 21h, no Teatro Universitário da UFMG (Sala Otávio Cardoso), Av. Pres. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha. Em seguida haverá bate-papo com professores e estudantes do TU e o público presente. A segunda apresentação será no dia 19 de setembro às 19h, na Zap Dezoito, rua João Donada, 18 – Santa Terezinha, seguida de debate com a diretora Cristina Tolentino, com o Núcleo de Criação Roda de Mulheres e público presente.

Desmonte de uma mulher que grunhe
Em “Desmonte de uma mulher que grunhe”, Sara Rojo e Jéssica Ribas revisitam “A Mulher Porca”, do dramaturgo argentino Santiago Loza, em uma desmontagem que mistura cenas da obra original, novas criações, vídeos e relatos pessoais para investigar as relações entre fé, corpo, submissão e violência contra as mulheres. Ao aproximarem a trajetória da personagem de suas próprias experiências e das histórias de tantas outras mulheres, as artistas desmontam a obra para revelar suas marcas e contradições, atualizando as discussões urgentes sobre a violência que permanece presente.
Na primeira desmontagem de sua trajetória, o Grupo de Teatro Mulheres Míticas retoma “A Mulher Porca”, espetáculo que estreou em formato audiovisual durante a pandemia. Em “Desmonte de uma mulher que grunhe”, Sara Rojo e Jéssica Ribas retornam à obra criada a partir do texto do dramaturgo argentino Santiago Loza e constroem uma nova obra a partir da cena da qual ambas participam. A proposta é revisitar as escolhas, os procedimentos criativos e as questões que atravessaram aquele processo de criação, agora também intercaladas com memórias e perspectivas das próprias artistas.
A primeira abordagem realizada pelo coletivo do texto “A Mulher Porca” nasceu em período de distanciamento social, quando ensaios e parte significativa do processo criativo aconteceram virtualmente. O encontro presencial, fundamental à prática teatral, estava suspenso, e o grupo precisou lidar com os limites e as possibilidades de criar à distância. O resultado foi um espetáculo concebido de maneira híbrida e registrado em vídeo, experiência que marcou profundamente o processo e a relação das artistas com a obra.
Agora, anos depois, o desejo de retornar a esse material nasce da constatação de que as questões que moviam “A Mulher Porca” permanecem urgentes. A violência contra as mulheres, a subordinação dos corpos femininos, as relações de poder e as diferentes formas de vulnerabilidade continuam atravessando a sociedade. Retomar a obra, portanto, não significa apenas olhar para o passado, mas confrontá-la com o presente: perceber o que mudou, o que permaneceu e quais novas perguntas surgem quando as artistas voltam a se encontrar presencialmente com esse material.
É nesse movimento que surge a ideia de desmontagem, em vez de reconstruir o espetáculo original. “Desmonte de uma mulher que grunhe” abre seus mecanismos e coloca em discussão as escolhas feitas ao longo do processo. A desmontagem permite que Sara (diretora, que agora também está em cena) e Jéssica (atriz da montagem original) revelem suas próprias questões, conflitos, memórias e perspectivas em diálogo com a obra, borrando as fronteiras entre personagem, atriz e diretora. O procedimento também se torna uma forma de investigar o próprio fazer do Mulheres Míticas: ao revisitar uma criação anterior, o grupo pode olhar para sua trajetória, discutir seus modos de criação, buscar uma leveza que acolha a dor e refletir sobre a identidade que vem construindo ao longo dos anos.
Sara Rojo e Jéssica Ribas dividem a cena e a construção dramatúrgica de “Desmonte de uma mulher que grunhe”. Se “A Mulher Porca” foi marcada pela impossibilidade do encontro, a nova criação parte justamente da possibilidade de estar novamente com o público para olhar de frente para aquele trabalho.
Desmontagem: recriação e reflexão
A desmontagem teatral é uma prática que parte de uma obra já existente para revelar e compartilhar com o público os caminhos que levaram à sua criação. Em vez de apresentar apenas o resultado final, a cena se abre para que sejam revisitados seus procedimentos, referências, escolhas, dúvidas e materiais. Na tradição do teatro latino-americano, a prática ganhou especial força a partir do trabalho do Grupo Cultural Yuyachkani, do Peru, que desenvolveu diferentes desmontagens como forma de colocar em diálogo a experiência das artistas, os processos de criação e as questões sociais presentes em suas obras.
É nesse sentido que “Desmonte de uma mulher que grunhe” se relaciona com “A Mulher Porca”: a obra anterior é um ponto de partida, mas não um roteiro a ser simplesmente reproduzido. Algumas cenas de “A Mulher Porca” retornam à cena, enquanto outras são completamente novas, criadas por Sara Rojo e Jéssica Ribas durante o processo de desmontagem. Entre esses fragmentos, memórias e novas cenas, o trabalho investiga a subordinação das mulheres e as diferentes formas de violência contra as mulheres no Brasil e na América Latina. É uma questão que permanece atual e, diante da persistência e da dimensão da violência de gênero, torna-se cada vez mais urgente. Uma violência que atravessa mulheres de diferentes segmentos e realidades (ainda que de maneiras distintas e com impactos profundamente desiguais) e que, justamente por sua amplitude, exige ser constantemente discutida, nomeada e enfrentada.
A escolha pela desmontagem também marca um momento singular na trajetória de Sara Rojo: é uma rara ocasião em que a diretora está em cena, ao lado de Jéssica Ribas, dividindo não apenas o espaço da apresentação, mas também a construção dramatúrgica. O diálogo com a obra original de Santiago Loza, importante dramaturgo argentino, cuja escrita está na origem de “A Mulher Porca”, ganha, assim, uma nova camada: a criação argentina é revisitada pelo Mulheres Míticas a partir da memória e em dialética com as urgências do presente, tanto o Brasil quanto em outros territórios da América Latina.
A dimensão de encontro se estende ainda para além da cena. Todas as apresentações de “Desmonte de uma mulher que grunhe” são acompanhadas de bate-papos entre Sara, Jéssica e o público. Depois da apresentação, especialmente a partir da escuta das mulheres presentes na plateia, abre-se um espaço para falar sobre as realidades vividas, as experiências de violência e subordinação e as maneiras como a obra reverbera em cada pessoa. A desmontagem, portanto, não termina quando a cena termina: ela continua no diálogo, na troca e na possibilidade de que as questões colocadas pelas artistas sejam confrontadas pelas experiências de quem assiste.
Saiba mais sobre o espetáculo: Release_ESTREIA_Desmonte de uma Mulher que Grunhe (1)
Fonte das informações: Grupo de Teatro Mulheres Míticas / Contato: zumzumcomunicacao@gmail.com | (31) 99903-9740
