Minas subjugada pelas mineradoras: até quando?

Na madrugada deste domingo, 25/01, que marca sete anos do desastre-crime do rompimento da barragem do Córrego do Feijão em Brumadinho, as populações de Congonhas e Ouro Preto foram colocadas em estado de alerta devido ao rompimento de um dique de contenção da água represada em uma grande escavação (cava) da mina de Fábrica, agravado por outro extravasamento de água registrado na mina Viga, também pertencente à Vale, menos de 24 horas depois.
Segundo o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, a administração municipal foi informada sobre o rompimento do dique, da mina de Fábrica, pela empresa CSN, que sofreu de forma imediata os efeitos do extravasamento de 220 mil toneladas de água. Esse fato parece indicar que o reservatório de água, com sedimentos de mineração, não estava sendo monitorado pela empresa responsável, a Vale, ou por qualquer órgão de controle ambiental. O expressivo volume de água extravasado levou junto toda a lama, sujeira e restos da mineração que encontrou pelo caminho, aumentando ainda mais a poluição dos rios da região, que já se encontram sem vida devido a uma longa história de mineração predatória.
O fato é que o rompimento desses diques evidenciam o estado de insegurança das comunidades impactadas pela mineração, resultado de um governo estadual que mantém com as empresas de mineração uma relação permissiva e de compadrio. Zema desmontou os serviços de controle ambiental, fez acordos de reparação para beneficiar a Vale nos crimes ambientais mais graves da história mineira e brasileira e distribuiu o dinheiro dos acordos pelas prefeituras para se reeleger.
Enquanto isso, sete anos após o rompimento da barragem em Brumadinho, o Rio Paraopeba está longe de ter restituída sua condição ambiental antes do rompimento. Segundo reportagem do Brasil de Fato, dos 54 km que deveriam ter sido recuperados pela Vale, apenas 3 km foram limpos. A recuperação avança a passos lentos em um quadro de impunidade. 272 pessoas foram mortas, 13 milhões de metros cúbicos extravasados destruíram a Bacia do Rio Paraopeba. Ainda, segundo o Brasil de Fato, ninguém foi responsabilizado por esses homicídios e pelo crime socioambiental.
Estamos em um ano em que teremos a oportunidade de fazer escolhas comprometidas com um projeto de sociedade em que a atividade minerária seja realizada nos marcos da soberania e da sustentabilidade. Os rompimentos dos diques nas minas de Fábrica e de Viga são alertas que oferecem a oportunidade de apontar um importante critério de escolha. Não pode ser um governo subordinado às empresas de mineração!
