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Burnout afeta mais de um terço dos profissionais na educação básica

A Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) realizou um estudo sobre burnout com profissionais da educação básica. A pesquisa teve como base 397 professores entrevistados, tanto da rede pública quanto da rede privada e o resultado constatou que mais de um terço dos professores são acometidos pela doença.

Segundo o Ministério da Saúde, o burnout se qualifica enquanto um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema e estresse resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam competitividade ou responsabilidade exacerbada. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Na docência esse esgotamento acontece, muitas vezes, pelo ambiente de trabalho: a pressão e burocracia extrema, violências físicas e verbais, relações entre os profissionais  docentes e professor-aluno e salários desvalorizados.

A UNIFESP elaborou três questionários com temáticas sobre: esgotamento pessoal, burnout no trabalho e burnout na relação entre os profissionais e professor-aluno. O resultado foi que 32,75% dos professores da educação básica responderam sofrer de algum tipo de distúrbio emocional.

Um outro ponto se dá na distinção como o esgotamento afeta homens e mulheres. Os homens têm uma porcentagem menor de esgotamento com um salário mais alto e as mulheres que recebem mais sofrem um estresse maior, se sentem mais sobrecarregadas pois precisam trabalhar mais para tal. Ocorre uma diferenciação também na estatística entre profissionais da rede pública que se sentem mais satisfeitos com a profissão, enquanto profissionais da rede privada sofrem mais cobranças devido aos pais, que são exigentes por pagarem pelo ensino.

A neuropsicóloga Carolina Garcia relata que os sintomas do burnout na docência transparecem na necessidade de afastamento do trabalho, em pensamentos pessimistas sobre a performance trabalhista e uma mudança no sono e na alimentação. Para tratar, é necessário um acompanhamento com um profissional, psicológico ou psiquiátrico, de no mínimo seis meses. “É difícil se recuperar no mesmo ambiente que a gente acabou adoecendo”, afirma.