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As eleições de 2026 e a defesa da Universidade Pública

O perfil do Congresso Nacional que foi eleito em 2026 determina um cenário de bastante dificuldade para a continuidade do processo de recuperação orçamentária da Universidade Pública e de financiamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão que as universidades desenvolvem.

O próximo ciclo que se apresenta, portanto, qualquer que seja o resultado do 2º turno da eleição para Presidente da República, cobrará de nós uma intensa mobilização em defesa das políticas públicas sem as quais a(o)s trabalhadora(e)s não têm acesso a direitos sociais básicos. O direito de acesso às formações profissionais oferecidas pelas universidades públicas está, obviamente, entre os direitos que um Congresso Nacional dominado pelos interesses do capital quase certamente ameaçará. 

Desde o início do ano de 2026, o APUBH adotou o lema “Sem universidade pública, não existe soberania” para situar a centralidade da defesa da Universidade Pública e de seu papel no desenvolvimento do nosso país, com soberania e inclusão social, na conjuntura das disputas geopolíticas em curso e se seus reflexos na disputa entre os projetos de país que certamente se confrontariam nas eleições de outubro.

O Congresso Nacional eleito em 04/10/2026 mostra um crescimento da extrema-direita como força política que, em aliança com os partidos fisiológicos de direita do bloco conhecido como Centrão, procurarão realizar seu projeto de desvalorização da Universidade Pública, com vista a sua privatização progressiva e subordinação imediata aos interesses do mercado. 

Esse é o mesmo projeto que no governo Jair Bolsonaro apareceu sob o nome fantasia de Future-se e que docentes de todo o país enfrentaram com bravura e que, também por isso, não se materializou. A retomada desse projeto já está esboçada no plano de governo de Flávio Bolsonaro e faz parte de um alinhamento completo com o projeto neocolonial dos EUA para o Brasil, que nem Donald Trump e nem o próprio Flávio Bolsonaro fazem questão de esconder.

Às vésperas do 2º turno das eleições deste ano, o APUBH reitera o pedido de que toda a comunidade acadêmica da UFMG se empenhe para evitar que a extrema-direita conquiste também o executivo federal e assim se inicie um cenário gravíssimo de lutas de resistência em defesa da sobrevivência das universidades públicas. Como disse a ex-reitora Professora Sandra Goulart, em suas redes sociais, no início desta semana, é hora de lutar pela universidade pública como se ela pudesse deixar de existir.

Dito isso, é importante reafirmar que jamais abandonaremos o projeto de país justo democrático e soberano e que a defesa da Universidade Pública sempre foi e continuará sendo o veio histórico do APUBH, desde sua fundação no dia 12 de novembro de 1977. A história do nosso sindicato começou como uma história de luta contra a ditadura civil-militar implantada no país em 1964, sob a forte influência dos EUA. O APUBH faz parte das centenas e talvez até milhares de entidades de luta coletiva construídas no enfrentamento à ditadura. Independentemente do cenário que emergir do segundo das eleições deste ano, nós continuaremos firmes na luta e seremos novamente vitoriosos.

Se você não é filiado ainda, filie-se ao APUBH e faça parte desta luta. Se já é filiado, convença um colega a se filiar. Juntos somos mais fortes!