“A Caixa do Trabalho”: nova oficina na Faculdade de Farmácia (FAFAR) debateu docência, coletividade e relações no trabalho
No dia 29 de setembro, o Núcleo de Acolhimento e Diálogo (NADi) do APUBHUFMG+ realizou uma nova edição da oficina “A Caixa do Trabalho” na Faculdade de Farmácia (FAFAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A atividade compôs o cronograma do mês de setembro do Projeto Travessias e ofereceu um espaço de escuta, reflexão e diálogo sobre o sentido e significado do trabalho a partir das experiências vivenciadas no cotidiano universitário. Desta vez, a oficina contou com a participação de professoras e professores da Faculdade de Farmácia e da Faculdade de Letras e produziu discussões distintas das ocorridas no dia 27 de Agosto.
A partir da metáfora da caixa, os participantes foram convidados a pensar sobre sua relação com o trabalho e sobre os diferentes elementos que constituem suas trajetórias profissionais. Dentre as questões discutidas, destacaram-se dessa vez os aspectos positivos atribuídos à docência. As falas recuperaram histórias pessoais e os acontecimentos que conduziram cada um dos presentes à Universidade e ao lugar que hoje ocupam. O momento evidenciou como uma mesma pergunta pode mobilizar diferentes narrativas e reflexões a depender da história de cada um.
Nesse processo, o trabalho na UFMG apareceu como um espaço de realização, construção de vínculos, produção e compartilhamento de conhecimento e reconhecimento. As professoras e os professores participantes deram especial importância ao que continua produzindo sentido na docência, mesmo diante das dificuldades e contradições presentes na atual conjuntura, como ser capaz de acompanhar a trajetória dos estudantes ao longo de sua formação, observar seus processos de aprendizagem e amadurecimento e reconhecer as transformações que ocorrem nesse percurso. A possibilidade de participar da formação acadêmica, profissional e humana dos alunos aparece como uma dimensão significativa do trabalho docente e como uma das fontes de sentido e realização na profissão.
Ao mesmo tempo, as discussões mostraram que o sentimento de realização no trabalho não pode ser pensado exclusivamente a partir de uma esfera individual. Uma reflexão importante produzida pelo grupo esteve relacionada à experiência coletiva e às transformações nos modos de convivência dentro das Universidades. As professoras e os professores destacaram a redução ou ausência de espaços cotidianos de encontro, convivência e troca entre colegas e momentos que não possuem uma finalidade formal ou produtiva, mas que permitem o compartilhamento e a construção de um “fazer junto”.
O debate apontou para a necessidade de pensar o trabalho também a partir dos espaços nos quais as pessoas podem estar umas com as outras, construir vínculos e reconhecer outras facetas da vida além da profissional. A ausência desses momentos, de acordo com os presentes, contribui para que dificuldades comuns a todos sejam vivenciadas de maneira isolada e para que problemas relacionados à organização e às relações de trabalho sejam percebidos como questões estritamente pessoais.
Essa reflexão também atravessou outro tema discutido durante a atividade, o assédio no ambiente de trabalho. A partir das experiências e percepções compartilhadas pelo grupo, foram debatidas situações vivenciadas na UFMG e em outros espaços universitários, seus impactos sobre as relações e as possibilidades de enfrentamento. A discussão buscou deslocar o enfrentamento do assédio de uma perspectiva individual para uma reflexão sobre os recursos coletivos e institucionais disponíveis.
Nesse sentido, a construção e o fortalecimento de redes de apoio, a criação de espaços seguros de diálogo e acolhimento e o reconhecimento da denúncia como instrumento de enfrentamento e interrupção dos ciclos de violência emergiram como aspectos fundamentais. Essas estratégias apontam para a importância de respostas que ofereçam suporte a toda a estrutura universitária, evitando que a responsabilidade de enfrentar situações de violência recaia sobre aqueles que, diretamente, as vivenciam.
Assim, a nova edição da oficina reforçou uma das principais propostas da atividade, que é compreender o trabalho em sua complexidade. Se, por um lado, ele pode ser atravessado por conflitos, violências, sobrecarga e dificuldades institucionais, por outro, também é constituído por vínculos, encontros, realizações e produção de sentido. Essas dimensões não são excludentes. Pelo contrário, reconhecê-las permite compreender o que precisa ser preservado e transformado.
Com a realização de mais uma edição da atividade, o NADi APUBHUFMG+ dá continuidade à construção de espaços de escuta junto à comunidade universitária, buscando identificar as principais demandas das e dos docentes e também reconhecer os vínculos, experiências e sentidos que sustentam o trabalho da categoria, pensando coletivamente nos caminhos para fortalecê-los.
