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A vitória das forças democráticas no 2º turno e os nossos desafios nos próximos anos

Ao longo de 2026, o APUBHUFMG+ publicou textos de análise de conjuntura elaborados por sua diretoria, dada a importância desse tipo de análise para orientação da nossa atuação como sindicato de professora(e)s do Magistério Federal na UFMG. Os resultados das eleições para o legislativo e o executivo recém publicados e seus desdobramentos para nossa luta pelos direitos da categoria docente e pela defesa das universidades públicas e dos serviços públicos em geral impuseram a necessidade de elaboração e publicação do presente texto. Nossa disputa pelo orçamento público federal se apresenta como um grande desafio para os próximos anos, dada a composição do Congresso Nacional que saiu das urnas e, mais do que nunca estarmos embasados em uma análise concreta da realidade concreta determinará se alcançaremos nossos objetivos.

 

Uma avaliação sucinta dos resultados das eleições

Dados divulgados na página do Tribunal Superior Eleitoral sobre as eleições de 2026 no Brasil indicam que Lula obteve cerca de 10,38 milhões de votos a mais no 2º turno, do que havia obtido no 1º, enquanto a votação de Flávio Bolsonaro só aumentou em cerca de 3,72 milhões de votos, de um turno para outro. Como resultado, Lula que havia terminado o 1º turno com cerca de dois pontos percentuais atrás de seu adversário, venceu a disputa com cerca 64,26 milhões de votos válidos, tendo chegado à frente de Flávio Bolsonaro por mais de 4,43 milhões de votos. A vitória de Lula no 2º turno foi considerada improvável por seus adversários e é o resultado de uma participação massiva, nas ruas e nas redes, de sindicatos, movimentos populares e estudantis, mas também de milhões de pessoas, sem vínculo organizativo com nenhuma entidade, que perceberam as enormes perdas ao país e ao povo brasileiro associadas à volta da extrema-direita à presidência do Brasil. Dentre as principais perdas para o povo brasileiro que foram evitadas com a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro, nós podemos destacar: 

  1. a perda de direitos sociais que dependem do acesso aos serviços públicos por meio da privatização completa desses serviços o avanço do capital sobre os recursos públicos; 
  2. a deterioração acelerada de direitos políticos e liberdades individuais formais da democracia liberal que permitem nossa luta pela educação pública e por democracia de verdade; 
  3. o domínio completo da extrema-direita sobre o sistema judiciário com a possibilidade de um miliciano constituir maioria absoluta no STF por meio do impeachment e da substituição de ministros da suprema corte; 
  4. a subsunção completa da economia brasileira aos interesses estadunidenses que desejam ter acesso exclusivo aos nossos recursos naturais e impedir nosso desenvolvimento econômico, a qualquer custo; 
  5. a desregulamentação completa da proteção ambiental com a eleição de um negacionista assumido que disse com todas as letras não acreditar em responsabilidade humana pelas mudanças climáticas e que atuaria como lacaio do capital baseado nas atividades agrária e mineral predatórias aceleradoras de tais mudanças.

A maioria do povo Brasileiro disse NÃO, de forma inquestionável, ao fim dos serviços públicos, ao negacionismo climático, ao autoritarismo, ao aprofundamento da desigualdade social em nosso país e à violência política como modo padrão de lidar com opositores, amplamente praticada durante as eleições e após a divulgação de seus resultados. Foi uma virada histórica, espetacular, marcada por uma participação popular comparável à mobilização do povo brasileiro na luta por eleições diretas para presidente, ao final da ditadura civil e militar iniciada em 1964, e em outros momentos marcantes da nossa história. Na maioria das cidades do país, as comemorações populares começaram logo após a publicação dos resultados do segundo turno. 

Em Belo Horizonte, vimos dezenas e dezenas de milhares de pessoas tomarem a Praça da Estação, e toda a região no entorno da esquina da rua Sapucaí com a Avenida Assis Chateaubriand, em um regozijo que expressou a certeza de que sua participação no 2º turno foi determinante para o resultado histórico alcançado. Foi uma vitória histórica devido a diversos fatores, mencionados a seguir, bem como ao fato de seus desdobramentos terem consequências de longo prazo, assim como a eleição de um miliciano para a presidência da república do Brasil seria uma derrota histórica com efeitos, também, de longo prazo. Afinal, a mobilização popular no 2º turno venceu, entre outras coisas: 

  1. a interferência estadunidense com aporte de recursos para influenciadores e outros agentes envolvidos na campanha de Flávio Bolsonaro, bem como com a intensa atuação das big techs e, em particular da Meta, que alterou seus algoritmos para favorecer as comunicações do miliciano e prejudicar as favoráveis à Lula; 
  2. a tentativa de aparelhamento do judiciário por meio da atuação escandalosamente parcial de ministros terrivelmente bolsonaristas como o presidente do TSE, Ministro Kassio Nunes Marques, e o vice-presidente do mesmo tribunal, Ministro André Mendonça, que também atuou no STF em favor da candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro com ações determinantes para a extrema-direita surgir como força hegemônica no próximo Congresso Nacional; 
  3. a blindagem de Flávio Bolsonaro pela mídia burguesa, empresarial e venal contra os fortes indícios de seu envolvimento com o escândalo do Banco Master, de sua participação em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro e de seu papel assumido como marionete dos interesses estadunidenses no Brasil, do mercado financeiro, do agronegócio predatório e da atividade de extração mineral também predatória; 
  4. a expressiva redução da frota disponível para o transporte coletivo do eleitor em diversas cidades para impedir a chegada de eleitores em seções eleitorais nas quais a votação em Lula tinha alcançado melhor desempenho no 1º turno, crime eleitoral cometido por empresas de transporte e pela administração pública das cidades envolvidas.

 

As consequências de longo prazo da nossa vitória no 2º turno

As consequências de longo prazo da vitória das forças populares que impediram a volta da extrema-direita ao executivo federal têm expressão nos planos nacional e internacional. No plano nacional, destacamos o fato de termos garantido nosso direito de lutar por mais direitos, que certamente estaria fortemente ameaçado com a escalada autoritária de ataques ao Estado Democrático de Direito da democracia liberal burguesa. No plano internacional, destacamos o significado geopolítico da eleição de Lula na luta contra o imperialismo estadunidense na América Latina que, apenas com a vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais do Brasil, passaria a controlar cerca da metade do território, da população e do PIB da América do Sul. Com a vitória de Lula, por outro lado, podemos continuar atuando para que o Brasil não seja o quintal de ninguém, frase cunhada em reação às declarações de Donald Trump e Marco Rúbio, por ocasião da publicação de sua nova doutrina de segurança nacional, em 2025.

Apesar dessa vitória popular histórica e de profundas consequências, observamos o avanço das forças que agem, no Congresso Nacional, como inimigas do povo brasileiro. O Partido Liberal, onde se abriga a maioria dos parlamentares de extrema-direita, cresceu na Câmara e no Senado Federal, constituindo, em ambas as casas, bancadas majoritárias que, se combinadas com a(o)s parlamentares do Centrão, formam maioria absoluta para aprovar retrocessos no ordenamento constitucional, bem como aprofundar a instabilidade no Supremo Tribunal Federal, aprovando o impeachment de ministros desafetos desses dois agrupamentos políticos.

Segundo reportagem da CUT Brasil, o campo progressista constituído por PT/PCdoB/PV, PSB, PSOL/Rede e PDT elegeu 126 deputada(o)s federais. O campo bolsonarista (PL e NOVO) elegeu 137 deputada(o)s federais. Os demais partidos componentes da direita fisiológica e agrupados no bloco conhecido como Centrão contarão com 252 deputada(o)s federais. São precisos 308 votos para se obter maioria absoluta na Câmara Federal e, por exemplo, aprovar emendas na Constituição nessa casa legislativa. Parlamentares do campo bolsonarista e do Centrão, juntos, totalizam 389 votos. Já no Senado, o campo bolsonarista conta com 31 senadores contra 15 do campo progressista. Preenchem o restante das cadeiras do Senado 35 senadores do Centrão. Nessa segunda casa, a maioria absoluta corresponde a 41 votos. Senadores do campo bolsonarista e do Centrão, juntos, totalizam 66 votos.

Esse cenário é, aparentemente, aterrador para as pessoas que, assim como nós, servidores federais, dependem do orçamento público como fonte de trabalho e renda. Ele, todavia, deve ser lido como uma encruzilhada na qual só existem dois caminhos possíveis. De um lado, a paralisia resultante do medo e do derrotismo antecipado, que resultam de uma concepção da correlação de forças desfavorável como um quadro estático ou insuperável. De outro lado, a força e a determinação para a ação de quem entende uma correlação de forças desfavorável como um cenário cheio de contradições diante das quais uma atuação correta e contundente pode proporcionar vitórias inesperadas.

 

A encruzilhada diante de nós e o nosso verdadeiro desafio

A virada histórica protagonizada por forças populares nas eleições presidenciais do 1º para o 2º turno, que aconteceu em um prazo de apenas 20 dias, mostra de forma clara e contundente qual é o caminho que devemos traçar diante da encruzilhada que se abriu à nossa frente. Essa virada mostra que não há jogo perdido, a priori, mesmo quando os desafios são enormes. O principal obstáculo que precisamos superar nos próximos anos, nem é o avanço da extrema-direita no Congresso Nacional. É algo que superamos, parcialmente, nos 20 dias que separaram os dois turnos das eleições e que só depende de nós para trilharmos sua superação nos próximos anos, dado que é o único caminho efetivo de enfrentamento à correlação de forças desfavorável que está diante de nós. 

Esse desafio, o nosso verdadeiro obstáculo, é o enorme déficit organizativo e ideológico de todo o campo da esquerda em nosso país. Na esfera organizativa, passamos as últimas décadas assistindo o PT, o maior partido da esquerda, cada vez mais restrito às disputas eleitorais e à ocupação de espaços institucionais, bem como cada vez mais afastado do objetivo de fomentar e disputar a direção de movimentos sindicais, estudantis e populares orientados para a contestação da exploração capitalista. Na esfera ideológica, enfrentamos a hegemonia do pensamento neoliberal que remonta há 40 anos e que também avançou pela falta de uma utopia pós-capitalista, de um projeto de país popular e soberano, na medida em que o principal partido da esquerda assumiu-se, cada vez mais, como o gerente de um modelo econômico e social capitalista, que está em crise em todo o ocidente. Esse fenômeno é especialmente grave, dado que ocorreu na contramão do que fizeram os partidos de extrema-direita que, no Brasil e no mundo, de forma farsesca, se apropriaram do discurso anti-sistema para ocultar seu verdadeiro projeto: a intensificação da exploração e barbárie capitalistas e a interdição da organização popular por meio da violência política.  

Pois bem, nos 20 dias que separaram os dois turnos da eleição presidencial, nós organizamos nossas ações de rua em brigadas populares nas regionais das grandes cidades e nas cidades do interior. Tais brigadas se somaram às auto-organizações de amigos, colegas de trabalho e outros coletivos em luta contra a volta a um passado terrível e recente, no qual o país foi presidido pelo chefe do clã bolsonaro. A organização das brigadas populares, que permitiu a atuação organizada de milhares de pessoas, foi obra das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Essas duas frentes populares têm atuado juntas desde o vitorioso Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo que, em 2025, pautou a isenção do imposto de renda para quem ganha menos e o fim da escala 6 x 1. Isso ocorreu sob uma correlação de forças no Congresso Nacional também totalmente contrária a essas conquistas e, no entanto, nós fomos vitoriosos. Em Minas Gerais, o APUBHUFMG+ compõe a Secretaria Operativa dessas frentes desde sua criação e, no segundo turno, se empenhou para que a comunidade universitária atuasse por meio das brigadas. 

Nos mesmo 20 dias, na esfera ideológica, distribuímos milhões de exemplares do número especial do Jornal Brasil de Fato (BdF) mantido por organizações das duas frentes populares. Esse número especial não era material de campanha de Lula que, inclusive, faltou de forma abrangente no 2º turno, mas uma comparação entre os projetos e as trajetórias dos dois candidatos. Foi o principal material usado por centenas de milhares de pessoas em todo o Brasil e sua ampla utilização produziu três resultados importantes. O primeiro foi o de permitir o início de conversas sobre as eleições sem uma rejeição imediata de muitas pessoas que não aceitavam mais receber materiais explícitos de campanha. O segundo foi o debate de temas importantes ligados à manutenção ou retirada de direitos conquistados a duras penas pela classe trabalhadora, tais como a existência, no Brasil, de um sistema de saúde pública universal. O terceiro foi a apresentação de um projeto de defesa desses direitos e de sua ampliação, não como uma promessa de um candidato, mas como um horizonte de luta popular, com o qual as pessoas que distribuíram o número especial do BdF e aquelas que o recebiam podiam se identificar. Esse último resultado é o mais importante na esfera ideológica, pois se contrapõem diretamente ao ideário neoliberal que apresenta direitos como privilégios ou muletas daqueles que não querem trabalhar ou não dispõem do valor social para fazê-lo. 

As ações de rede, por sua vez, foram igualmente importantes e ocorreram de uma forma inédita na história da esquerda brasileira. Para além das restrições impostas pelos aspectos discursivos, morais e éticos, que os algoritmos das redes sociais valorizam e dão ampla vantagem à direita e à extrema-direita, a fragmentação da esquerda, sua multiplicidade de pautas e sua incapacidade de coordená-las sempre prejudicaram enormemente o uso desse espaço por esse campo de forças políticas. Ficamos assim com uma atuação pífia para a necessária disputa ideológica para orientar corações e mentes em direção à solidariedade e à valorização do que é público e compartilhado. Em 20 dias, um exército com mais de 10 milhões de atores se insurgiu nas redes sociais e utilizou esse espaço para estimular o protagonismo das pessoas na criação de conteúdos orientados por valores de esquerda, na ampliação de sua circulação e na elevação do astral e da disposição de luta desse imenso coletivo. Isso foi essencial para transformar medo em esperança e alegria, pois quando o medo se transforma no único combustível da ação, a possibilidade de vitória e realização se esvaem. 

Curiosamente, esse assim chamado “Exército do Lula” foi comandado por um deputado do Partido Avante que saiu apenas recentemente da agremiação insatisfeito com a opção da legenda por lançar Augusto Cury como candidato a presidente e por declarar apoio à Flávio Bolsonaro no 2º turno. Essa informação, aliás, não é mera curiosidade, pois mostra que o principal partido do campo da esquerda no Brasil sequer tem um quadro à altura da tarefa. Seus principais dirigentes se mostraram atônitos com a derrota no 1º turno por acreditarem que o presidente Lula venceria e não haveria 2º turno. 

Colagem de cartazes nas periferias das cidades, conhecidas como lambes, uso de técnicas do Teatro do Oprimido, ações coordenadas nas redes e manifestações de rua massivas: múltiplas ferramentas foram combinadas em uma mobilização popular de massas realizada em apenas 20 dias. Essas são as mesmas ferramentas que precisamos continuar a utilizar para enfrentarmos o que se constitui, desde o fim da ditadura civil-militar, como o pior Congresso Nacional da história. Embora já tenhamos usado essa expressão para designar o Congresso atual, não há dúvidas de que o próximo legislativo federal terá uma composição ainda pior que o atual. Em parte realizada por uma atividade auto-organizada, essa virada espetacular pode se transformar em voo de galinha, se não resultar no fortalecimento das organizações sindicais, estudantis e populares existentes. Essas, por sua vez, precisam se apresentar como locus de atuação firme e permanente nos próximos anos para todas as pessoas que bravamente atuaram no 2º turno das eleições. O APUBHUFMG+ publica este texto de análise de conjuntura para começar a fazê-lo. Nós da diretoria do atuamos lado a lado com colegas docentes que sequer são filiada(o)s ao sindicato. Esperamos que ela(e)s leiam este texto e decidam pela filiação e pelo fortalecimento do nosso sindicato. 

 

A transformação da nossa luta econômica e corporativa em luta política

As pautas da luta econômica e corporativa da nossa categoria estão relacionadas à precarização das condições de trabalho nas universidades públicas e à falta de investimentos em bolsas para estudantes de graduação e pós-graduação. Hoje já enfrentamos uma década de subfinanciamento que compromete a formação da(o)s especialistas nas diversas áreas de atuação profissional e a produção do conhecimento em artes, cultura, ciência e tecnologia. Diante da pauta de valorização das universidades públicas e da nossa categoria se ergue o Congresso Nacional eleito que, assim como o Congresso atual, representa as forças do capital financeiro, agrário e mineral que atuam em nosso país. Já neste final de ano, temos pela frente a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que define as metas fiscais, as prioridades de gastos e as regras do orçamento para o ano seguinte, servindo de base para a criação da Lei Orçamentária Anual (LOA). Segundo matéria publicada pelo Fórum Nacional de Entidades dos Servidores Públicos Federais (FONASEFE), é preciso continuar pressionando o Congresso para impedir que a LDO congele nossos salários e engesse as carreiras do funcionalismo no próximo ano. 

Ciência para Todos, Soberania, Desenvolvimento e Inclusão foi o tema da 78ª Reunião Anual da SBPC deste ano de 2026. No Brasil, as universidades públicas são responsáveis pela produção da imensa maioria da pesquisa científica. Por isso, a defesa das universidades deve ser um compromisso de todos os setores organizados da classe trabalhadora. Há, todavia, de se reconhecer que os interesses da classe trabalhadora representados pelas organizações sindicais, estudantis e populares que compõem o campo político da esquerda são diversos e que nossa ação descoordenada tem resultado em um longo período de defensiva que supera 10 anos e durante o qual vimos sucessivos retrocessos nas políticas públicas de interesse popular. 

Por isso, nós docentes e os demais segmentos da comunidade acadêmica das universidades públicas federais, assim como todas as pessoas capazes de entender a importância da manutenção e ampliação de direitos sociais e políticos, precisamos atuar de forma intensa, dedicada, organizada e decisiva nos próximos anos. Se fizermos isso, seremos capazes de transformar o governo Lula 4 em uma trincheira da nossa luta contra a extrema-direita e evitar que o próximo governo recaia no mesmo erro cometido no segundo mandato do governo Dilma, iniciado em 2015. Naquela ocasião, acossado por um resultado apertado na vitória contra Aécio Neves e pelo início de um movimento de massas dominado pela direita, Dilma iniciou seu segundo mandato adotando o programa econômico derrotado nas urnas e caiu diante de um golpe orquestrado por um Congresso Nacional e um Judiciário golpistas. 

Assim como as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo assumiram o protagonismo da campanha no 2º turno das eleições de 2026, nós dos movimentos sindicais, estudantis e populares devemos manter nossa disposição em dialogar com o presidente eleito e coordenar nossas ações, sem o receio que ainda parece dominar certa parte da cúpula do PT de que a atuação popular nas redes e nas ruas pode prejudicar o governo. Precisamos agir com inteligência para não prejudicar ou deslegitimar o governo que bravamente ajudamos a eleger sem, todavia, perder de vista a necessidade de continuarmos a ter protagonismo no cenário político brasileiro. 

Precisamos atuar para permitir que Lula dê consequência aos compromissos sociais assumidos durante a campanha, diante de um Congresso Nacional e de um conjunto de forças que atuará e já está atuando no sentido contrário. Afinal, a receita já conhecemos. Tais forças, internas e externas, atuam para que o programa derrotado nas urnas se torne, de fato, o programa do governo, em prejuízo da soberania de nosso país e das políticas de redução da desigualdade social. Após a vitória no 2º turno, Lula já prometeu fazer um governo diferente, com maior participação popular, mas não conseguirá fazê-lo sem a nossa participação decisiva. 

É neste compasso que o APUBHUFMG+ reafirma seu compromisso com a defesa da universidade pública e com os direitos da categoria docente. Filiar-se, acompanhar as redes de comunicação do Sindicato, participar das ações propostas, dos espaços coletivos de discussão e deliberação sindicais são ações imprescindíveis para o fortalecimento do movimento docente. Cabe à sociedade civil organizada ocupar os espaços de participação que esperamos serem criados pelo governo para transformá-lo em uma trincheira da luta popular contra a extrema direita. Não podemos esperar para nos organizarmos em sindicatos, apenas no 2º turno de 2030. Não podemos protelar tanto tempo para continuar disputando corações e mentes com a distribuição do Jornal Brasil de Fato ou outras ferramentas de disputa ideológica semelhantes. Não podemos esperar para voltar a nos organizarmos em brigadas populares apenas nas eleições presidenciais de 2030. A encruzilhada está diante de nós. Ninguém precisa gostar de atuar politicamente para entender que não há outra alternativa para darmos à universidade a importância estratégica que ela de fato tem para o futuro da nossa nação.

A bola está com você que acessou e leu este texto até o final. Informe-se e acompanhe as redes sociais do APUBHUFMG+. Neste 2º turno das eleições de 2026, testemunhamos como um canal de comunicação digital e a constituição de um movimento de massa pode ser determinante para a história de nosso país. Com sua participação divulgando as mensagens e chamados que o Sindicato veicula diariamente, bem como trazendo mais docentes para se vincular a essa rede, nós podemos fortalecer o trabalho que cabe à representação sindical de docentes de uma universidade pública: a defesa dessa instituição e da(o)s docentes que nela trabalham, bem como o fortalecimento da luta política mais geral da classe trabalhadora para a construção de um projeto de país democrático, soberano e socialmente justo.

Participe do APUBHUFMG+: juntos na luta somos mais fortes!