Acontece no APUBH

Uma nova etapa no debate sobre proporcionalidade nas eleições para o Reitorado da UFMG

A professora Luciene Bruno Vieira, diretora executiva do APUBHUFMG+, representou o sindicato no seminário sobre a proporcionalidade nas consultas para reitor e vice-reitor da UFMG. Promovida na tarde de ontem (30/09), no Auditório do CAD 2, a discussão ocorreu após a aprovação da Lei 15.367/2026, que instituiu o fim da lista tríplice para escolha do reitorado das universidades federais.

Organizada pela Comissão de Acompanhamento das Discussões sobre Proporcionalidade, a mesa de debate contou com falas das entidades representativas de docentes, TAEs e estudantes. Houve, ainda, a apresentação de um balanço do trabalho da Comissão e a exposição de um comparativo entre diferentes metodologias de cálculo do peso dos votos. Clique aqui para assistir ao registro em vídeo do seminário, disponível pelo canal da CAC-UFMG no Youtube.

A atividade teve início com a exposição do professor Eduardo Valadares, presidente da Comissão de Acompanhamento das Discussões sobre Proporcionalidade e diretor da Escola de Ciência da Informação (ECI). Em um balanço do trabalho da Comissão, o docente definiu: entre as 21 unidades acadêmicas, houve a informação de que 15 iniciaram e concluíram discussões sobre o tema; três deram início às discussões, mas não informaram conclusão; e três não deram retorno.

Segundo o professor Eduardo Valadares, “entre as unidades que apresentaram posições à comissão, cinco defenderam a paridade de um terço para cada segmento, duas propuseram a distribuição 40% para docentes, 40% para técnicos-administrativos e 20% para estudantes, e cinco manifestaram-se contra a manutenção do modelo 70%-15%-15%, sem indicar uma fórmula alternativa”.

APUBHUFMG+ defende a democracia na Universidade Pública

Em sua exposição no seminário, a representante do APUBHUFMG+ traçou um panorama sobre a relevância do tema para o fortalecimento da democracia na Universidade Pública, passando pela garantia de nomeação da chapa escolhida pela comunidade e pela proporcionalidade nas eleições internas. Clique aqui para acessar os slides apresentados pela professora Luciene Bruno Vieira.

Ela chamou a atenção para o avanço democrático representado pela aprovação da Lei 15.367/2026. “A lista tríplice foi criada na ditadura militar, e ela não era um modelo de autonomia universitária e muito menos um modelo democrático. A maioria poderia votar em um candidato e aquele candidato, no fim das contas, poderia não ser a pessoa escolhida para te representar”, explicou.

A professora lembrou que, no mandato presidencial anterior, o Brasil teve casos de intervencionismo nas universidades federais, com o governo Bolsonaro definindo reitores, de maneira autoria e sem levar em consideração as consultas internas. Portanto, ainda de acordo com ela, assegurar o poder de decisão, por meio do voto direto da comunidade, é um marco democrático nessas instituições.

Já em relação ao ambiente interno da UFMG, a professora Luciene Bruno Vieira pontuou que o APUBHUFMG+ não possui uma posição definida sobre o tema da proporcionalidade. Ela ponderou, contudo, que o sindicato acredita na democracia. “Nós acreditamos que ambientes igualitários são mais saudáveis do que ambientes totalitários”, observou a sindicalista. Nesse sentido, a docente chamou a atenção para os percalços enfrentados nos períodos de poder autoritário no Brasil, incluindo intervenções no meio universitário.

Finalizando a sua participação inicial, a representante do APUBHUFMG+ propôs que, para termos condições de definir o sistema de proporções a ser escolhido, ainda precisamos ampliar o debate sobre o tema, formar comissões dos três segmentos e acessar análises mais amplificadas e aprofundadas.

O debate sobre a proporcionalidade no processo de escolha do reitorado possui grande relevância para ampliar a Democracia na Universidade Pública.

Galeria de fotos: 30/09/2026 | Seminário da Comissão de Acompanhamento das Discussões sobre Proporcionalidade