APUBHUFMG+ integrou o lançamento da Frente Minas Gerais por Inteligência Artificial com Direitos Sociais
Representantes de entidades sindicais, movimentos populares e mandatos progressistas se reuniram, na tarde de ontem (10/09), para a Plenária de constituição da Frente Minas Gerais por Inteligência Artificial com Direitos Sociais. O APUBHUFMG+ marcou presença no evento, sendo representado pelo professor Marco Antônio Sousa Alves, 2º vice-presidente do Sindicato e membro da Comissão Permanente de IA da UFMG.
Promovida na sede do SINDADOS-MG (Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais), a plenária foi registrada em vídeo, disponível no canal do SINDADOS-MG no YouTube: https://www.youtube.com/live/t_Xh_RsW4gU?si=yw9dHxhs6ApvP1ag
A Plenária teve início com as saudações iniciais das entidades sindicais organizadoras do evento. Na sequência, o tema foi aprofundado através da palestra “Revolução Digital: preparados para enfrentar essa nova realidade”, ministrada por José Vidal, que é o presidente do INIADS Brasil (Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais).
Por fim, as demais representações de sindicatos e parlamentares progressistas foram convidadas a se manifestar. Houve o apelo para que as entidades discutam internamente sobre a possibilidade de compor a Frente. Além disso, os mandatos presentes à atividade se comprometeram a promover, no tempo oportuno, uma Audiência Pública sobre essa temática na ALMG.
Para não sermos atropelados, precisamos nos mobilizar
Em sua fala na Plenária, o 2º vice-presidente do APUBHUFMG+ ressaltou o apoio do sindicato à iniciativa. Nesse sentido, ele se propôs a levar essa discussão para a diretoria executiva do APUBHUFMG+, com a proposta de participação do sindicato na Frente.
O professor Marco Antônio expressou preocupação com o uso das novas tecnologias por parte das grandes corporações. Como apontado por ele, essas ferramentas podem servir à precarização do trabalho, além de comprometer a nossa soberania. Dessa maneira, ele apontou para a necessidade de mobilização coletiva e permanente, para que “não sejamos atropelados” pelos interesses políticos e econômicos internacionais.
O representante do APUBHUFMG+ também comentou os esforços, que vêm sendo desenvolvidos na universidade, para combater a dependência tecnológica e garantir o uso responsável, ético e a serviço do desenvolvimento nacional.

Como fica a classe trabalhadora nessa Revolução Digital?
Inteligência artificial, robótica, automação do trabalho. Expressões como essas vêm se tornando cada vez mais comuns em nossa rotina, evidenciando como o mundo atravessa uma revolução digital. O encantamento e as promessas de inovação suscitadas por essas novas tecnologias, contudo, podem encobrir implicações preocupantes para a classe trabalhadora.
Extinção de milhares de postos de trabalho e demissões em massa marcam a atuação de megacorporações que têm apostado nas novas tecnologias para baratear os custos de produção. Também podemos observar como as ferramentas têm sido usadas para agravar o processo de retirada de direitos e de perda de controle sobre o trabalho.
Além disso, não podemos perder de vista os impactos humanos e ambientais que vêm a reboque da operacionalização dos processos tecnológicos. Para citar um exemplo, a atual expansão do uso de IA está acompanhada de uma demanda enorme por água potável para o resfriamento de Data Centers e uma demanda gigantesca por energia, cuja produção sempre traz grandes impactos ambientais.
Cabe destacar ainda como, em tempos de avanço da extrema direita e de ameaças às liberdades democráticas, as chamadas big techs têm interferido econômica e politicamente nos assuntos internos das nações.

Diante dessa conjuntura, entidades da sociedade civil organizada têm buscado estimular o debate do uso intensivo de IA junto à população e ao poder público, como forma de construir uma atuação popular que aponte os problemas da expansão dessa tecnologia e defenda os direitos da classe trabalhadora nesse processo. Assim, em outubro do ano passado, ocorreu a I Conferência Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais, em São Bernardo do Campo-SP. Desde então, a iniciativa vem percorrendo o país, na forma de frentes regionais sobre o tema.
A constituição da Frente de Minas Gerais integra esse esforço, assim como faz parte da preparação para a II Conferência Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais, prevista para o mês de maio do ano que vem em Brasília-DF.
Ao longo das falas da Plenária de Minas Gerais, as representações presentes destacaram a relevância de implementação de políticas públicas e regulamentação específica para o setor. Como citado no debate, não se trata de conter a evolução tecnológica, mas de buscar assegurar os direitos humanos, sociais e trabalhistas da(o)s trabalhadora(e)s.
As discussões também chamaram a atenção para a Soberania Digital como condição para assegurar a Soberania Nacional. Foi destacada a importância estratégica do desenvolvimento tecnológico nacional e, portanto, o papel fundamental do investimento público nas áreas de CT&I, para que o país não dependa de apenas empresas internacionais. Tal dependência é grave e envolve a captura de informações públicas sigilosas pelas big techs.
SAIBA MAIS:
- Site nacional da Frente Inteligência Artificial com Direitos Sociais: https://frenteiacomdireitossociais.org.br/
- Manifesto de São Bernardo do Campo pela Inteligência Artificial com Direitos Sociais: https://bit.ly/4yobYXG
