MANIFESTO NACIONAL DO 8 DE MARÇO UNIFICADO – 2026
MANIFESTO NACIONAL DO 8 DE MARÇO 2026: PELA VIDA DAS MULHERES! CONTRA O IMPERIALISMO, POR DEMOCRACIA, SOBERANIA E PELO FIM DA ESCALA 6×1!
O Manifesto Nacional da Articulação Nacional do 8 de Março está aberto para adesões. A atualização total das assinaturas será feita até o dia 05/03. Até lá, todas as quintas-feiras iremos atualizar com as novas assinaturas que chegarem. Acesse pelo link: https://forms.gle/u613bEBk85nQuqJi9
A luta das mulheres nasce da nossa capacidade histórica de auto-organização feminista. Em 8 de março de 1917, inspiradas pela luta das feministas socialistas no mundo, mulheres trabalhadoras saíram às ruas na Rússia, numa ação coletiva das mulheres operárias no enfrentamento à fome, à guerra e à exploração, dando início ao processo que desencadeou a Revolução Russa. Nesse levante, as mulheres colocaram a sobrevivência, o trabalho e a dignidade no centro da luta política. Essa história nos ensina que, quando nós, mulheres, nos organizamos, abalamos as estruturas do poder, abrimos caminhos revolucionários e transformamos a história.
Nosso feminismo é internacionalista e anti-imperialista. Neste 8 de Março, nossas vozes estão erguidas no Brasil inteiro contra a ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe e todas as agressões econômicas, políticas e militares que ameaçam a paz e a soberania dos povos. Denunciamos o bloqueio criminoso, ameaças bélicas, ataques cibernéticos, comunicacionais e de invasão impostas à Cuba e à Venezuela e todas as formas de dominação colonial que aprofundam a fome, a exploração capitalista patriarcal e racista.
As Big Techs, empresas transnacionais da tecnologia, e o complexo industrial militar estadunidense são as principais ferramentas do imperialismo para atacar a soberania na América Latina e no Caribe. São as mesmas empresas que controlam as plataformas de redes sociais digitais que potencializam a propagação da extrema direita, do conservadorismo, racismo e misoginia.
Nossa luta é feminista, internacionalista, antifascista e antirracista. Estamos ao lado das mulheres palestinas, venezuelanas, cubanas e de todos os povos que resistem às ocupações, guerras e conflitos armados. Exigimos paz e o fim das intervenções imperialistas.
Lutamos contra todas as formas de opressão contra as mulheres e meninas que culminam em feminicídios e transfeminicídios, produtos do entrelaçamento entre o capitalismo neoliberal, o imperialismo, fascismo, patriarcado, racismo e a LBTfobia, que controlam corpos, exploram o trabalho, saqueiam territórios e mantêm privilégios.
Em 2025, a maioria das 1.470 mulheres que foram assassinadas eram mulheres negras. Mulheres com deficiência, em especial as que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade, são privadas de direitos básicos. No Brasil, as mulheres seguem sendo assassinadas por serem mulheres, na maioria das vezes dentro de suas próprias casas, pelo marido, namorado, companheiro ou ex-companheiro. Diante deste cenário também exigimos ampliação do orçamento para as políticas de enfrentamento à violência e às desigualdades vividas pelas mulheres.
Denunciamos o racismo que estrutura toda a sociedade brasileira e produz a violência policial, a intolerância e racismo religioso, e todos os tipos de opressões materiais e simbólicas contra a população negra e indígena, povos e comunidades tradicionais, as juventudes e as mulheres negras, indígenas e de tradição de matriz africana. Lutamos por um Brasil sem racismo, com reparação histórica e Bem Viver!
Estamos nas ruas pela vida das mulheres trabalhadoras da cidade, do campo, das florestas e das águas, pelas mulheres negras, quilombolas, indígenas, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, com deficiência, mães solo, atípicas, em situação de rua, atingidas por barragens, privadas de liberdade, mulheres de tradição de matriz africana, religiosas ou não, migrantes, jovens, idosas e meninas.
Lutamos por vida digna e por justiça econômica, social, racial e climática. Por justiça reprodutiva com aborto seguro, legal e gratuito, e contra todas as formas de violência e de precarização da vida das mulheres. Defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o reconhecimento do trabalho doméstico e de cuidados, assim como a socialização desses trabalhos, historicamente invisibilizados e impostos às mulheres. Exigimos que tenhamos recursos em âmbito federal e que Estados e Municípios implementem a Lei nº 15.069/2024 da Política Nacional de Cuidados (PNC).
Neste sentido, a luta pelo fim da escala 6×1 é central. Esse modelo rouba o tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria.
Nossa luta é por nossos corpos e territórios livres. Por isso defendemos e reafirmamos a reforma agrária popular e a agroecologia como única alternativa para garantir soberania alimentar e uma vida livre de violências seja no campo ou na cidade. Sabemos que a crise climática é parte desse modelo de exploração. Ela resulta da destruição predatória dos territórios e da mercantilização das mulheres e da natureza. As mulheres estão na linha de frente na defesa dos bens comuns, do enfrentamento à fome, à falta de água e saneamento, dos deslocamentos forçados e do colapso ambiental. Denunciamos o agronegócio que enxerga o Brasil como terras de expropriação e exploração do povo trabalhador do campo. Denunciamos o uso de agrotóxicos, que envenenam corpos e territórios, atingindo especialmente as mulheres do campo.
Afirmamos que a luta pelo fim de todas as opressões é inseparável da luta por democracia, soberania e justiça social, por isso a taxação das grandes fortunas é fundamental para construção de um Brasil mais justo. Em 2026 todas as nossas frentes convergem para a batalha decisiva de defesa da democracia em nosso país.
Defender a democracia é barrar a extrema direita e afirmar um projeto democrático, popular e feminista, comprometido com a vida e com políticas públicas para todas as mulheres, garantindo direitos, proteção social, laicidade do Estado e condições reais de existência digna.
Pela vida de todas as mulheres: contra a fome, pela legalização do aborto, por trabalho digno, pelo reconhecimento do cuidado e pelo Bem Viver!
Pela autodeterminação dos povos, pela paz, pela democracia no Brasil, na América Latina e no Caribe!
Por soberania, redução da jornada de trabalho sem redução salarial, pelo fim da escala 6×1, pelo fim da violência e contra a precarização da vida das mulheres!
Nossa resposta é organização, unidade e luta feminista!
Todas às ruas no 8 de Março!
Articulação Nacional do 8 de Março
