Nilma Lino Gomes: cotas aperfeiçoaram a democracia na universidade

Ex-ministra e professora da Faculdade de Educação falou sobre a superação do racismo em conferência do ciclo 'Tempos presentes'

A reitora Sandra Regina Goulart Almeida apresenta a professora Nilma Lino GomesReitora Sandra Goulart Almeida apresentou a professora Nilma Lino Gomes ao públicoFoca Lisboa | UFMG

 

“Havia algo de errado com o direito à educação quando uma universidade pública, durante anos, não expressava a diversidade de sua sociedade no seu interior”, afirmou a professora Nilma Lino Gomes, da Faculdade de Educação da UFMG, na palestra que proferiu nesta quarta-feira, 12, no auditório 1 da Face, no âmbito do ciclo de conferências Tempos presentes.

A professora explicou que o racismo brasileiro ocorre historicamente por meio de processo fundamentado na corporeidade da população negra, ou seja, ancorado em suas características físicas. “A forma como o racismo impera entre nós não está ligado apenas a uma vertente étnica ancestral, mas, sobretudo, a um fenótipo negro africano, que é sistematicamente desqualificado", argumentou.

 

Interação de pluralidades

Nilma Lino Gomes
Nilma Lino Gomes: ciência acompanha a pluralidadeFoca Lisboa | UFMG

 

Nilma, que foi ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos no governo de Dilma Rousseff, discorreu também sobre a política de cotas, que, em sua visão, propiciou uma universidade pública mais diversa, aperfeiçoando a democracia nesse ambiente.  “Assim, de forma corajosa, reconhecemos que a ciência acompanha uma pluralidade de sujeitos, de vivências e de culturas", disse.

De acordo com a ex-ministra, um ambiente acadêmico democrático depende da interação de pluralidades, pois somente por meio desse encontro é possível compreender as demandas de cada segmento social. “A implementação de ações afirmativas, com destaque para aquelas destinadas à população negra, revelou várias outras questões que pareciam não existir. A discussão racial levantou uma série de outras problemáticas de negação de direitos que estavam encobertas”, afirmou.

Na visão de Nilma Lino Gomes, uma postura antirracista das universidades se evidencia quando elas assumem o compromisso de encontrar as causas da ausência das pluralidades. “As cotas raciais têm mostrado quão racistas somos nós, pois elas fazem cair as máscaras daqueles que discursavam pela igualdade, mas que não suportam a equidade. Uma prova de que a universidade precisa superar o racismo reside no próprio fato de que a presença de mais negros nesse ambiente gera ressentimento entre setores da instituição e da sociedade. É como se tivesse sido tirado deles o privilégio de ocupar os espaços na universidade em quase sua totalidade", criticou a professora.

A reitora Sandra Regina Goulart Almeida, que apresentou a professora Nilma Lino Gomes ao público, também defendeu o engajamento da universidade na luta contra o racismo. “Há valores dos quais não podemos abrir mão em quaisquer contextos, e um deles é a superação do racismo. Temos o papel de refletir criticamente sobre a nossa sociedade", disse a reitora. 

A conferência da professora Nilma Lino Gomes foi a última do ciclo Tempos presentes no primeiro semestre. Novas palestras serão agendadas a partir de agosto.

 

Fonte: João Paulo Alves / UFMG.

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