APUBH, FNPE e PROIFES-Federação manifestam repúdio à ação da Polícia Federal na UFMG

Confira a nota divulgada pelo PROIFES-FEDERAÇÃO.

O Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH), o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), o PROIFES-Federação e seus sindicatos federados manifestaram-se publicamente contra a ação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira, 6, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nota do PROIFES:

A pedido do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH)  sindicato que representa os professores da UFMG, divulgamos  sua nota oficial .

O PROIFES-Federação reitera sua posição intransigente em defesa das instituições federais de ensino.

Somos a favor de que tudo seja investigado, mas nos insurgimos contra a espetacularização das ações policiais e contra os abusos cometidos pelos órgãos de controle, que deveriam primar pela austeridade e imparcialidade, princípios básicos da República, em vez de dar guarida ao processo de destruição do serviço público em curso no Brasil.

Fica nossa irrestrita solidariedade e apoio aos professores da UFMG e das demais Instituições Federais de Ensino Superior que têm sofrido esse tipo de ataque.

 

Em defesa da UFMG

Foi com grande Indignação que a diretoria do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco – APUBH recebeu logo pela manhã, a notícia de que o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, professor Jaime Arturo Ramirez, a vice-reitora, professora Sandra Regina Goulart Almeida e reitores e vice-reitoras de gestões passadas da Instituição foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento na sede da Polícia Federal em Minas Gerais.  A ação faz parte de uma operação intitulada pela PF de “Esperança Equilibrista” e que apura irregularidades e suposto desvio de recursos públicos nas obras de construção do Memorial da Anistia Política do Brasil.

Causa estranhamento a forma como a operação foi conduzida pela Polícia Federal que, antes de notificar a UFMG, nos parece informou a imprensa transformando a ação em um espetáculo midiático, a exemplo do que ocorreu em Santa Catarina. Tal atitude estabelece um processo de condenação pública e antecipada daqueles que foram chamados a prestar esclarecimentos, sem qualquer acusação formal.  Cria um circo em que coloca em xeque a credibilidade de uma das maiores e melhores instituições de ensino público do país e da América Latina, responsável pelo desenvolvimento de pesquisa de ponta e que possui em seu corpo docente professores e pesquisadores reconhecidos nacional e internacionalmente. 

A APUBH entende que os fatos devem ser investigados, para que a verdade surja e a justiça seja feita. Porém, condenamos o uso da “força bruta”, na forma dos mandados de condução coercitiva, pois existem modos mais “educados” para se “convidar” uma testemunha pública, de endereço conhecido e de conduta ilibada para prestar o seu depoimento.  O uso destes mandados nos remete à conduta da Polícia no contexto do Estado de Exceção: será que estamos voltando à ditadura?  Nos últimos meses, vivenciamos uma sequência de agressões à universidade pública, por meio de cortes orçamentários, suspensão de investimentos, culminando na ação truculenta da PF na manhã de hoje.

Neste difícil momento, por qual passa a UFMG, mais do que cores partidárias, disputas internas por poder na instituição ou em suas unidades, nós temos que nos unir em defesa dessa Universidade que é referência na produção do conhecimento e da luta pelo ensino público, gratuito e de qualidade.

Diretoria da APUBH

06/12/2017

 

Nota do FNPE

Um ataque à Universidade Pública e a tudo que ela representa

Na manhã desta quarta (06/12) a Polícia Federal promoveu mais uma ação midiática, desproporcional, arbitrária e de ostentação ao usar de prerrogativas legais para promover perseguições, agora, contra dirigentes e ex-dirigentes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mais uma vez dirigentes universitários são conduzidos coercitivamente, em procedimento que, de maneira geral e absolutamente preocupante, vem se tornando banal, ostensivo e ofensivo, atentando contra o amplo direito de defesa e a dignidade de pessoas. Tais dirigentes, por certo, estariam à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, por serem pessoas públicas e com endereço conhecido. A medida reforça nosso repúdio à forma como pessoas vem sendo tratadas em nosso país por autoridades policiais e do judiciário, com achincalhamento público prévio.

A ação é mais uma medida que atenta contra a democracia, contra as conquistas sociais e contra a Universidade Pública e seu papel emancipatório e estratégico para a soberania e o desenvolvimento nacional, notadamente por voltar-se a projeto da Universidade Pública, que conta com inúmeras parcerias: o Memorial da Anistia Política do Brasil, que visa resgatar a memória e a verdade histórica subjacente à Ditadura Militar no país.

O trágico caso do Reitor Cancellier, e o pedido de investigação de abuso de autoridade, parece não constranger ações pirotécnicas, seletivas e desproporcionais que objetivam manchar reputações, atacar professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, estudantes, servidores e servidoras e promover o desmonte da Educação Superior Pública, laica, gratuita, inclusiva e em defesa da Democracia.

A defesa da instituição é um compromisso ético de todos e todas e, por essa razão, manifestamos nossa indignação e reivindicamos o imediato esclarecimento da ação e a responsabilização pelas arbitrariedades e humilhações.

Fórum Nacional Popular de Educação

 

 Fonte: PROIFES - FEDERAÇÃO 

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