Apubh e outras entidades inauguram Tesourômetro em Belo Horizonte

Painel mostra as perdas de recursos da Ciência, Tecnologia e Educação desde 2015

 

Desde 2015, no Brasil, mais de 11 bilhões de reais deixaram de ser investidos em Ciência, tecnologia e educação.  É o que aponta o Tesourômetro, contador que informa minuto a minuto a perda de recursos desses setores.  O primeiro “placar” foi instalado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no dia 22 de junho de 2017. A Universidade Federal de Minas Gerais inaugurará o segundo contador amanhã, 18 de julho, às 14h30 no Campus Pampulha.

O Tesourômetro é importante referência da Campanha Conhecimento sem Cortes, idealizada por quatro associações e sindicatos docentes: Associação de docentes da UFRJ (Adufrj), Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (Apubh), Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (Adunb) e Sindicato dos Trabalhadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (Sintifrj). De acordo com o professor e economista Carlos Frederico Leão Rocha, vice-presidente da Adufrj, em entrevista para o site da ADUFRJ, os valores expostos no “tesourômetro” são calculados considerando as verbas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e das universidades federais.

A Campanha Conhecimento sem Cortes tem como objetivo alertar a sociedade para o impacto dos cortes de recursos nas instituições de ensino, nas agências de fomento à pesquisa e de inovação e ciência.  O argumento recorrente para justificar os cortes tem sido a crise econômica e a necessidade de cortar gastos para impedir o país de enfrentar uma grave recessão. Essa opinião, porém, é refutada pelos idealizadores da campanha. “Crises são parte da história. Algumas Nações mostraram ao longo do tempo que investir continuamente em educação, saúde, ciência e tecnologia é uma opção viável e segura para vencer as dificuldades. Nesse momento de crise generalizada o Brasil ameaça enveredar por um caminho diferente desse. Ao invés de investir no futuro estamos comprometendo-o com cortes e corremos o risco de deixar um passivo incerto para as gerações vindouras. Os cortes sistemáticos em áreas estratégicas se contrapõem às facilidades dadas a aqueles alinhados ao poder”, declara Carlos Barreira Martinez, presidente da APUBH.

Outra conseqüência da redução dos investimentos é a paralisação de pesquisas  e perda de cientistas das instituições públicas para instituições privadas nacionais ou do exterior.  “Estudantes universitários que dependem de bolsas de permanência podem ser forçados a desistir de seus cursos e, além disso, a fuga de cérebros do Brasil para o exterior que já ocorre pode se intensificar ainda mais”, explica Tatiana Roque, presidente da Adufrj.

Os cortes de recursos serão objeto de atividade promovida pelas entidades, amanhã, 18/07,  às 13h, na 69ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em sessão denominada “As universidades e os professores diante da crise Brasileira”.

 

 

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