Após rasura em livros de direitos humanos, UnB é palco de protesto contra o fascismo

Mobilização envolveu diferentes setores da comunidade acadêmica, como alunos, professores e servidores

Estudantes, professores e servidores da Universidade de Brasília (UnB) realizaram, no final da tarde desta quarta-feira (10), um ato em defesa dos direitos humanos e contra o avanço do fascismo.

O protesto foi convocado para reagir à frequente rasura de livros dedicados aos direitos humanos na biblioteca da instituição. De acordo com a UnB, o problema vem ocorrendo desde o início do ano e passou a chamar mais atenção na última quinta (4), quando foi detectada a última ocorrência.

Na manifestação, os estudantes destacaram que a danificação das obras ocorre em meio ao cenário de intensa polarização política no país neste período pré-eleitoral e diante do avanço de práticas autoritárias.

“A gente tem essa compreensão de que, neste momento histórico, [a depredação] é um ato muito simbólico. A gente compreende este ato aqui também como um ato contra a democracia, acima de tudo”, disse a estudante Ada Luísa de Melo.

Segundo funcionários da biblioteca, pelo menos cinco livros foram danificados de forma intencional e criminosa até agora. Dois deles tratam diretamente de direitos humanos e os demais abordam temas correlatos, como renascimento, antiguidade pagã, entre outros.  

Presente no protesto, o professor Luiz Araújo, da Faculdade de Educação, disse à reportagem que se sente preocupado com a rasura das obras, bem como com a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Ele conta que viveu o período da ditadura no Brasil e teme que o país dê uma guinada ainda maior à direita.

“As energias de ódio e preconceito que ele está liberando são como se o politicamente correto estivesse sendo revogado. É um momento muito delicado pra democracia. Estamos arriscando viver novamente uma violência do Estado”, afirmou.

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, também se somou ao protesto. Em entrevista ao Brasil de Fato, ela afirmou que a instituição está preocupada com o atual contexto. Além disso, destacou que, durante a ditadura, a universidade perdeu muitos professores, que foram assassinados pelo regime.

Ela também disse lamentar o episódio dos livros e defendeu a mobilização contra o autoritarismo.

“Numa instituição educadora, ter livros danificados já é algo gravíssimo e ter livros de direitos humanos altamente mutilados, da forma como foi, dói. O respeito aos direitos humanos é um princípio do qual não abrimos mão, por isso que estou aqui”, afirmou.

O estudante Fábio Félix ressaltou que a UnB teve um peso importante na luta contra a ditadura civil-militar. Ele defende que a comunidade acadêmica resista novamente à onda conservadora.

“Neste  momento tenso, de crise da democracia brasileira, eu acho que a Universidade de Brasília pode ser, mais uma vez, este polo de resistência". 

Durante o protesto, a comunidade acadêmica doou livros de direitos humanos à biblioteca da universidade, não só para repor exemplares que foram danificados, mas também para simbolizar a luta em defesa desses direitos.

A assessoria de imprensa da UnB informou à reportagem que a instituição está apurando os fatos relacionados à danificação das obras e buscando imagens do circuito interno de TV para solicitar a abertura de um inquérito junto aos órgãos competentes.

Edição: Diego Sartorato

Fonte: Brasil de Fato.

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