APUBH debate conjuntura nacional em roda de conversa no ICB

Primeira atividade promovida pela nova diretoria do sindicato foi elogiada por participantes.

O auditório 2 do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG sediou na noite de ontem, 06 de junho, a primeira atividade da nova diretoria da APUBH junto a seus filiados. A Roda de Conversa “A greve dos caminhoneiros, Petrobrás e reflexos na Universidade pública” reuniu diretores e filiados para discutir a atual conjuntura nacional.  A iniciativa da nova gestão foi elogiada por professores participantes que destacaram a necessidade de re-situar o papel do sindicato e atuar para promover uma reaproximação com e dos professores, por meio, principalmente de uma campanha de sindicalização.

Na abertura do evento, a professora Maria Rosaria Barbato, 1ª vice-presidente da APUBH agradeceu aos presentes e frisou a importância de promover essa reflexão em um momento particularmente complicado.  Barbato ressaltou também a premissa da gestão compartilhada do sindicato. “É nossa pretensão manter essa horizontalidade, na expectativa de que todos os filiados e também os não filiados possam contribuir para o crescimento para o fortalecimento do nosso sindicato”, disse.

A contextualização inicial da Roda de Conversa foi feita pelo professor Sebastião de Pádua, 1º secretário-geral da APUBH destacando a Medida Provisória 839 editada no dia 30 de Maio de 2018 como parte do acordo para finalizar a greve dos caminhoneiros. O efeito direto da MP foi o contingenciamento de recursos em 25 dos 29 ministérios do governo, inclusive os da Educação, da Saúde e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.  Pádua destacou as notas publicada pelo Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e de entidades de ensino, ciência, pesquisa e tecnologia em que se criticam os cortes na área de saúde e educação e se pede aos parlamentares que rejeitem a medida.

Ao analisar o cenário atual, a professora Maria Luiza G. Araújo, destacou a perda da força dos marcos regulatórios e seus impactos para a  saúde, educação, ciência, pesquisa e tecnologia.  “ Eu fico imaginando se a nossa luta agora pra frente não seria a gente retomar a briga pelos marcos regulatórios da Petrobrás para que a gente possa resgatar o papel do fundo social completo da Petrobrás e a distribuição disso no contexto nacional”, ponderou.

“Ressaltar que essa solução que o governo adotou esse movimento, locaute que aconteceu nos transportes, além de ser socialmente desastroso, é cruel. Tem que lembrar que, além de todos os cortes anunciados, a medida do governo, essa medida provisória também prevê uma desoneração do PIS e do COFINS que são tributos essenciais para a manutenção de toda a seguridade social, saúde, assistência social. Tudo isso o dinheiro vem desses recursos. É bastante perversa essa medida e é altamente ineficaz”, acrescentou o professor Hélder Figueiredo, 2º vice-presidente da APUBH ao fazer ponderações sobre o assunto em pauta.

A vice-presidente do Conselho Fiscal, professora Maria Cristina Soares, manifestou a sua preocupação com o marco civilizatório. “Hoje a gente sabe que os alunos quilombolas e indígenas estão suspensas as bolsas que os mantém na universidade. Isso nos diz do marco civilizatório da universidade, nos diz diretamente respeito, porque é um direito e uma conquista dessas populações Porque a se gente começa a atingir esse nível, porque já foi cortando, cortando, a gente chega à destruição daquilo que nos define socialmente”. 

O professor José Luiz Quadros de Magalhães, da Faculdade de Direito, fez uma análise sobre o momento atual que nós vivemos hoje. Segundo o professor, no Brasil e no mundo, há um momento de ruptura, em que o sistema moderno como o conhecemos está em crise. “Nós estamos vivendo o deslocamento desse sistema. Eu acho que os sinais são muito claros. O sistema está fundando e a gente precisa ter coragem de construir alguma outra coisa completamente diferente”, pontuou.

Magalhães analisou o impacto dessa ruptura para o Brasil, na forma de uma guerra ideológica, que coloca em risco o Estado brasileiro. “O poder disso aí é muito grande, como as pessoas conseguem viver numa realidade social, política e econômica tão absurda e acharem normal. É absurdo você pensar no caso da greve dos caminhoneiros em que, durante a greve, o golpista aumenta o preço da gasolina. Vocês perceberam o escracho? É um escracho. E ninguém vê nada e ninguém faz nada. Isso é guerra ideológica”, alertou o professor.

Finalizando a Roda de Conversa, a professora Maria Rosaria, 1ª vice-presidente da APUBH, ponderou que “A universidade não é uma ilha, o que acontece aqui é um reflexo do que acontece lá fora. O individualismo é um importa aliado do capitalismo”, por isso a importância de nos mantermos alertas, dialogar e procurar agir sobre a nossa realidade.  

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